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Janeiro registra mais de um baleado por dia em roubo ou tentativa, no Grande Rio

Casos tiveram aumento de 30%; violência armada deixou três vezes mais vítimas no Leste Metropolitano, aponta o Instituto Fogo Cruzado

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 11 de fevereiro de 2026 - 09:21
Entre as vítimas estão três motoboys que foram mortos, no intervalo de uma semana, durante tentativas de assaltos enquanto trabalhavam
Entre as vítimas estão três motoboys que foram mortos, no intervalo de uma semana, durante tentativas de assaltos enquanto trabalhavam -

A violência armada durante assaltos e tentativas de roubo se agravou na região metropolitana do Rio de Janeiro em janeiro de 2026. Dados do relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado mostram que 35 pessoas foram baleadas nessas ocorrências ao longo do mês, mais de uma pessoa baleada por dia. O número representa um aumento de 30% em relação a janeiro de 2025.

Entre as vítimas estão três motoboys que foram mortos, no intervalo de uma semana, durante tentativas de assaltos enquanto trabalhavam. A primeira vítima foi Marcelo Julio Silva, de 52 anos, morto em Irajá, na Zona Norte. Depois, Paulo Vitor Lopes, de 22 anos, também foi morto durante uma tentativa de assalto, em Senador Vasconcelos, na Zona Oeste. Dois dias depois, Bruno Barbosa dos Santos, de 24 anos, foi baleado e morto em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.

“O crescimento expressivo e contínuo de pessoas baleadas durante assaltos evidencia como a violência armada está diretamente associada à rotina da população, especialmente em crimes que ocorrem em deslocamentos, no trabalho e em atividades rotineiras. Esses números mostram que o roubo deixou de ser apenas um crime patrimonial para se consolidar como um fator central de produção de violência armada. A média de dois baleados por dia em assaltos é um dado alarmante e exige respostas urgentes do poder público, com políticas de prevenção, inteligência e proteção da população”, analisa Carlos Nhanga, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Rio de Janeiro.

No primeiro mês de 2026 também houve crescimento no número de mortes no Leste Metropolitano. Segundo o instituto, apenas em janeiro, 27 pessoas foram mortas na região. No mesmo mês de 2025, foram registrados oito casos. O número de feridos também apresentou aumento, indo de 18 para 21, assim como o de tiroteios que foi de 32 para 43.

Dados detalhados

O mês em dados

Em janeiro, foram registrados pelo menos 216 tiroteios/disparos de arma de fogo na região metropolitana do Rio de Janeiro, uma média de 43 por semana. As ações e operações policiais foram responsáveis por 46% dos confrontos, totalizando 100 registros. Uma queda de 20% em comparação a janeiro de 2025, quando foram mapeados 271 tiroteios.

Ao todo, 179 pessoas foram baleadas no mês: 102 morreram e 77 ficaram feridas. O número de mortos apresentou aumento de 26%, e o de feridos, queda de 25%, em comparação com janeiro de 2025, quando 183 pessoas foram baleadas, das quais 81 morreram e 102 ficaram feridas.

Entre os baleados de janeiro, 53% (95 vítimas) foram atingidas durante ações e operações policiais: 54 morreram e 41 ficaram feridas. Em janeiro de 2025, entre as 183 pessoas baleadas, 57% (105) foram atingidas durante ações e operações policiais: 30 morreram e 75 ficaram feridas.

Locais afetados

Municípios

Entre os municípios que compõem a região metropolitana do Rio de Janeiro, os mais afetados pela violência armada foram:

Rio de Janeiro: 130 tiroteios, 47 mortos e 45 feridos

São Gonçalo: 25 tiroteios, 16 mortos e 9 feridos

Niterói: 15 tiroteios, 11 mortos e 10 feridos

Duque de Caxias: 13 tiroteios, 6 mortos e 5 feridos

São João de Meriti: 10 tiroteios, 3 morto e 3 feridos

Bairros

Os bairros mais afetados pela violência armada foram:

Cascadura (Rio de Janeiro): 8 tiroteios e 4 feridos

Costa Barros (Rio de Janeiro): 8 tiroteios, 3 mortos e 2 feridos

Fonseca (Niterói): 6 tiroteios, 5 mortos e 5 feridos

Inhoaíba (Rio de Janeiro): 6 tiroteios, 2 mortos e 2 feridos

Tijuca (Rio de Janeiro): 5 tiroteios e 1 morto

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