Pelo menos 45 comércios vendiam combo batizado

Por Renata Sena
De motel a boates, de restaurantes às festinhas privadas, em pelo menos 45 estabelecimentos comerciais - frequentados por pessoas de diferentes classes sociais de São Gonçalo e Niterói -, os destilados importados vendidos vinham da fábrica de bebidas falsificadas, em Marambaia, São Gonçalo, estourada policiais da 72ªDP (Mutuá), na última sexta-feira.
Segundo o delegado Mario Lamblet, adjunto da distrital, a lista dos clientes do depósito clandestino ainda está sendo levantada. No entanto, os agentes acreditam que, pelo menos, 15 comerciantes sabiam que as bebidas eram falsificadas. “Instauramos um novo inquérito e não descartamos a possibilidade de outras pessoas estarem envolvidas no esquema”, explicou Lamblet. Na primeira ação, os policiais surpreenderam nove pessoas, entre elas René Pone dos Santos, de 57 anos, proprietário da fábrica clandestina, que era foragido da justiça pelo crime de associação ao tráfico de drogas. Um dia após a prisão dos acusados, os agentes localizaram outro imóvel usado pela quadrilha, no Jóquei. “Lá nós encontramos garrafas ainda sujas, que seriam lavadas com soda cáustica para receber os líquidos que são vendidos”, disse o delegado. De acordo com as investigações, a quadrilha chegava a produzir mais de mil garrafas por semana e tinha um lucro que ultrapassava R$ 100 mil por mês. As bebidas eram vendidas como importadas, com lacres e rótulos reproduzidos perfeitamente. Os valores das vodkas variavam entre R$ 20 e R$ 40. Já os whiskys eram vendidos por preços entre R$ 40 e R$ 60, dependendo do rótulo, embora as garrafas fossem preenchidas com o mesmo líquido. “O próximo passo da investigação é identificar esses estabelecimentos, descobrir quem sabia do esquema de falsificação e tirar esses produtos da comercialização”, finalizou Lamblet.
Investigação - A polícia chegou ao esquema de bebidas falsificadas através da prisão de Marcelo da Silva Leitão, o Bigode, de 27 anos. Apontado como chefão do tráfico do Complexo do Salgueiro, Bigode ou BG foi preso no último dia 22, num sítio em Casimiro de Abreu.
A ligação do criminoso com a quadrilha ainda está sendo investigada, mas a polícia já pode afirmar que os produtos produzidos clandestinamente eram vendidos e consumidos em bailes funk e pagodes promovidos por traficantes do Comando Vermelho (CV). Os oito funcionários presos durante a fabricação das bebidas contaram que recebiam R$ 100 por dia. Já o proprietário da empresa, que chegou a dizer que só ficava com 30% dos lucros, resolveu se calar e não prestou depoimento. Todos os presos em flagrantes já tiveram a prisão preventiva decretada. Caso sejam condenados, eles podem pegar de 4 a 8 anos de reclusão por falsificação de produtos alimentícios.