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Delegacias podem ser fechadas

relogio min de leitura | Redação 20 de junho de 2016 - 11:00
Delegacia de Rio do Ouro funciona em casa antiga, que foi reformada por comerciantes locais.
Delegacia de Rio do Ouro funciona em casa antiga, que foi reformada por comerciantes locais. -

Por Marcela Freitas

A Polícia Civil, designada a investigar crimes, tem sofrido diretamente com a crise financeira que toma conta das finanças do Estado. Segundo fontes ligadas ao Governo do Estado, a administração estuda a possibilidade do fechamento de algumas delegacias que têm pouco movimento e de outras que estão instaladas onde há outras distritais, que podem assumir os serviços da que deixasse de funcionar. Este é o caso da 75ª DP (Rio do Ouro), em São Gonçalo.

Como forma de diminuir os custos com as distritais, o Governo do Estado estuda fechar algumas delegacias no interior do Estado. Entre elas Mendes, Rio das Flores e Trajano de Moraes. Em São Gonçalo, a delegacia de Rio do Ouro, que ainda funciona no prédio de uma casa, também seria extinta.

A delegacia de Rio do Ouro é a única que não é legal no município. Apesar de estar ligada ao sistema de Delegacia Legal, o prédio funciona em uma antiga casa. A distrital recebeu algumas obras de melhorias que, segundo comerciantes da localidade, foi custeada com ajuda deles para evitar que a distrital fosse retirada do bairro.

Curso – A Polícia Civil está realizando um curso com cem comissários de polícia que, após o término, estariam aptos a assumir as chefias destes prédios que terão as delegacias desativadas. Elas passariam a ser chamadas de projeções. Nelas, o comissário seria responsável pela administração, com um número reduzido de inspetores. Em caso de flagrantes, as demandas seriam encaminhadas para outras delegacias próximas da região, onde haverá delegados responsáveis. A medida, além de reduzir custos, congelaria o concurso para delegados pelos próximos seis anos.

Dados – Até junho deste ano, o número de registros de ocorrências (ROs) feitos em Trajano de Moraes foi de pouco mais de cem. Na 74ª DP (Alcântara), em São Gonçalo, o número chega a sete mil no mesmo período. “Um RO feito em Trajano de Moraes custa, em média, R$800 se for contabilizado salários dos policiais, água, energia, elétrica, manutenção e tudo o que envolve um atendimento. Em Alcântara, esse valor é de centavos se fizermos a mesma comparação pelo número de pessoas que são atendidas. Como São Gonçalo já é um município abastado de delegacias, cogitou-se a possibilidade de extinguir a de Rio do Ouro. Mas isso é um projeto e, pelo que sabemos, ainda não há data para ocorrer”, contou um policial.

Ainda segundo o agente, grande parte dos comissários já está próximo da aposentadoria e só aceitariam assumir tal responsabilidade em troca de um salário melhor. “Muitos agentes já têm mais de 30 anos de serviços prestados. Ninguém vai assumir uma responsabilidade destas se a remuneração não for atrativa. Até o momento, só se falou das responsabilidades a serem assumidas e não foram discutidos os aumentos de salários”, afirmou.

Terceirizados – Além da precarização da estrutura das distritais, funcionários terceirizados que atuam nas delegacias resolveram cruzar os braços. Sem ter como trabalhar, os policiais resolveram auxiliar alguns deles nos custeios de passagem. Mas com a indecisão sobre os pagamentos, a grande maioria optou por deixar as delegacias. O resultado são policiais se desdobrando na limpeza, no atendimento telefônico e no atendimento à população que chega em busca de informações, antes mesmo da confecção dos registros.

A assessoria de imprensa da Polícia Civil foi procurada, mas não deu retorno até o fechamento desta edição.

Nada de legal no prédio e atendimento

Construída com objetivo de oferecer conforto e modernizar o atendimento ao público, a delegacia de Alcântara sofre com a falta de manutenção. Balcão e paredes descascadas, banheiros com problemas de encanamento, assoalhos soltando e porta de entrada danificada são alguns dos problemas visíveis da unidade que recebe, todos os dias, uma grande circulação de pessoas. Para manter o atendimento, são os próprios policiais que estão cuidando da limpeza de áreas comuns de circulação e de suas salas. O atendimento telefônico também é revezado pelos agentes e quando é necessária alguma obra emergencial ou até mesmo a compra de materiais para o funcionamento do expediente, são os agentes que custeiam.

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