Instagram Facebook Twitter Whatsapp
Dólar R$ 5,0665 | Euro R$ 5,8376
Search

Mais uma vítima da violência

Administrador de empresas é assassinado ao ser confundido por traficantes em Amendoeira

relogio min de leitura | Redação 22 de maio de 2016 - 11:47
Enterro de Cléber Victorino Pacheco que foi morto com um tiro na Amendoeira
Enterro de Cléber Victorino Pacheco que foi morto com um tiro na Amendoeira -

Por Marcela Freitas e Matheus Merlim

A disputa pelo controle da venda de drogas no Morro da Caixa D’Água, no Jardim Miriambi, em São Gonçalo, pode ter feito mais uma vítima na madrugada de ontem. O administrador de empresas Cléber Victorino Pacheco, de 49 anos, foi morto, quando voltava de uma festa com a namorada e um amigo da família, em Amendoeira, São Gonçalo.

De acordo com as investigações da Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo (DHNISG), Cléber e a companheira estavam de carona no carro de um amigo, quando o condutor, ao se aproximar do endereço deles, na Rua Emídio Dantas Barreto, fez uma manobra para estacionar o veículo, que teria chamado a atenção dos criminosos. O trio, então, foi surpreendido por homens que estavam encapuzados e que fizeram disparos em direção ao carro e um deles atingiu Cléber. A bala atravessou o porta-malas e o acertou na altura do pulmão. Assustado, o condutor do veículo conseguiu fugir do bloqueio dos criminosos e, ao perceber que Cléber estava ferido, o levou ao Pronto Socorro de Alcântara. De lá, ele foi transferido ao Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no Colubandê, onde não resistiu aos ferimentos. Para o delegado da DH, Tiago Dorigo, a principal linha de investigação é da participação de traficantes no crime. “A princípio, a vítima foi baleada por traficantes que pensaram se tratar de um ataque de rivais em possível invasão. Trabalhamos com essa linha”, adiantou. Cléber fazia parte, há mais de 10 anos, do Instituto de Estudos da Religião (Iser), que é uma organização da sociedade civil dedicada à causa dos direitos humanos e da democracia. Visto como um homem muito correto, Cléber, segundo parentes, era uma pessoa generosa e que se dedicava ao bem do próximo. “O Cléber era um homem bom, que se tornou mais uma vítima da violência. Infelizmente, ele é mais um número para a estatística. É muito difícil tolerar esse abandono por parte do Estado”, lamentou um parente, que preferiu não se identificar.

Enterro reúne 150 pessoas

“Estou sem chão. Perdi o homem da minha vida, meu tudo. Queria tanto que Deus me desse a chance de vê-lo só mais um segundo”. A fala emocionada é de Marina Gabriela, de 26 anos, namorada de Cléber e que estava com ele no momento em que foi baleado. Ela e outras mais de 150 pessoas, entre amigos e familiares, deram o último adeus ao administrador, ontem à tarde, no Cemitério Parque da Paz, no Pacheco, em São Gonçalo. 

O sepultamento aconteceu por volta das 17h. Cerca de 20 amigos de Cléber vestiram uma camisa branca com sua foto estampada na frente, com o dizer “Amigo eterno”. “Era um cara excepcional. Há pouco comprei uma casa e não deu tempo nem dele conhecer”, desabafou, sob lágrimas, um dos amigos.

Com 49 anos, Cléber deixa a companheira e uma filha.

Matérias Relacionadas