‘Guerra’ causa a morte de dois inocentes em Niterói

Por Thuany Dossares
A ‘guerra’ entre traficantes ligados as facções Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP) pelo controle da venda de drogas nas comunidades do Fonseca e Engenhoca, na Zona Norte de Niterói, pode ter causado a morte de dois moradores inocentes.
Amigos desde a infância, Vitor da Conceição Almeida, 18, e Daniel Silva de Souza, de 22 anos, que trabalhavam juntos em um lava-jato, foram assassinados com mais de 30 tiros, na noite de sexta-feira, próximo à favela Coronel Leôncio.
Os lavadores de carro saíam da comunidade em uma motocicleta CG 150 verde, quando foram surpreendidos por dois homens armados, na esquina entre a Travessa Dona Ana e Rua Doutor Péricles.
Policias da Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo (DHNISG) foram até o local do crime para realizar perícia técnica e constataram que Vitor e Daniel foram executados com cerca de 30 tiros de pistola com kit rajada calibre 9mm, por volta das 21h45. Segundo moradores da região, o endereço onde os jovens foram mortos é usado como passagem por traficantes da favelas Coronel Leôncio e Santo Cristo. Ambas tem o comércio de entorpecentes gerenciado pelo TCP.
“Acreditamos que eles devem ter sofrido uma emboscada. Eles devem ter sido confundidos com traficantes. Mas eram rapazes muito bons, trabalhadores, nascidos e criados na Coronel Leôncio e queridos por todos na comunidade, não faziam mal a ninguém. Mais duas vidas inocentes perdidas”, falou um morador, que preferiu não se identificar.
De acordo com as investigações, os autores dos disparos seriam criminosos da comunidade Vila Ipiranga, que tem o tráfico controlado pelos rivais do CV.
Guerra - Desde fevereiro deste ano, os inimigos do Terceiro Comando Puro (TCP) e do Comando Vermelho (CV) travam uma guerra pelo domínio do território e controle do tráfico de drogas nas favelas da Engenhoca e do Fonseca, em Niterói. Essa disputa já teria feito pelo menos 12 vítimas fatais. Moradores relatam que os tiroteios na região são constantes.
“Nós moradores de bem, somos obrigados a viver no meio dessa guerra e não conseguimos enxergar nenhuma luz no fim do túnel. Praticamente todos os dias tem troca de tiros e nós ficamos no meio desse fogo cruzado. Só queríamos ter paz”, lamentou um morador.