Tráfico mata PM dentro de condomínio popular em SG

Por Thuany Dossares e Thiago Soares
O subtenente da Polícia Militar Cláudio Souza Santos, de 53 anos, foi assassinado, na noite de terça-feira, no interior de um dos prédios do conjunto habitacional Minha Casa, Minha Vida, no bairro Mundel, em São Gonçalo. Menos de 24 horas após a morte do PM, agentes da Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo prenderam um dos suspeitos de envolvimento no crime: Felipe Santana de Araújo, o FP da Barreira, 23. Ele estava com quatro armas - duas delas pertenciam à vítima.
De acordo com as investigações, Cláudio estava chegando à casa da namorada, na Rua Pereira Sampaio, quando foi abordado por três homens armados, que questionaram se ele era policial. O militar negou, mas os criminosos encontraram uma pistola em sua mochila e efetuaram três disparos contra a vítima, que morreu no local.
Prisão - Ontem à tarde, policiais da DH prenderam FP na Favela da Barreira, em Monjolos. Com o acusado, os agentes apreenderam quatro pistolas, sendo duas da vítima, calibres 40 e 380, e um rádio transmissor, além de 64 papelotes de cocaína e munições.
De acordo com o delegado Tiago Dorigo, responsável pelas investigações, inicialmente o suspeito vai responder por tráfico, associação ao tráfico, porte ilegal de arma e furto das pistolas da vítima. “Agora vamos apurar o envolvimento dele na morte do PM”, explicou o delegado.
Enterro - Cerca de 100 pessoas deram o último adeus ao subtenente, ontem, no Memorial Parque Nicteroy, em Vista Alegre, São Gonçalo. Há 30 anos na PM, Cláudio estava cedido à Operação Lei Seca, mas já atuou no batalhão de Niterói o no hospital da corporação.
Emocionado, Fábio Simões, 40, primo da vítima, comentou que Cláudio já contava os dias para se aposentar e encerrar o seu ciclo na área policial.
“Ele sempre comentava isso e faltavam algumas semanas para isso ocorrer. Perdemos um cara tranquilo e ótimo pai”, desabafou, acrescentando que o PM deixa três filhos.
Também presente na cerimônia, o tenente-coronel Marco Andrade, que atua na Operação Lei Seca, lamentou a “perda de um de seus melhores homens”. “A perda do Souza é triste, significa perder uma alma caridosa, um homem de bem, policial exemplar. Estava com a gente desde 2010 e se aposentaria em pouco tempo”, lamentou o oficial.