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SG registra média de 10 casos de violência contra a mulher por dia

relogio min de leitura | Redação 22 de abril de 2016 - 22:45
Há duas semanas, Verônica Tatagiba foi assassinada com 11 facadas pelo ex-marido, no Coelho
Há duas semanas, Verônica Tatagiba foi assassinada com 11 facadas pelo ex-marido, no Coelho -

Por Daniela Scaffo

São Gonçalo aparece na terceira colocação em números de homicídios dolosos praticados contra mulheres, segundo relatório divulgado pelo Instituto de Segurança Pública do Rio. Pelo menos três casos de feminicídio foram registrados no município somente neste ano. A Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam) da cidade já registrou mais de 1,1 mil casos de agressão e ameaças nos primeiros quatro messes de 2016.

“Os números de agressão à mulher são preocupantes. Eu não diria que estão aumentando, já que antigamente muitos casos ocorriam no ambiente privado e não eram devidamente apurados. Hoje, além de investigações mais rígidas, temos o ‘Protocolo Latino-americano de Investigação das Mortes Violentas de Mulheres por Razões de Gênero’ e leis que aumentam as penas para quem comete tais agressões”, explicou a a delegada Débora Rodrigues, titular da Deam-SG.

A delegada ainda ressaltou a importância das vítimas procurarem a polícia. “É importante fazer o registro de ocorrência para cobrar do estado uma intervenção. Existe muito mais casos de Maria da Penha do que os que são registrados. Isso acontece porque a mulher costuma se calar, por vergonha de expôr sua vida e por acreditar que tudo vai melhorar”, completou Débora.

De acordo a presidente do Movimento de Mulheres de São Gonçalo, a assistente social Marisa Chaves, o avanço da violência contra a mulher ocorre, principalmente, porque as vítimas não buscam as instituições de apoio.

“Muitas mulheres tentam resolver o problema sozinhas e não procuram um órgão que poderá de fato ajudá-las. Elas acreditam que o parceiro não irá cometer esse tipo de violência. No entanto, há, em alguns homens, o sentimento de posse, fruto da sociedade machista em que vivemos, que faz com que eles pensem que têm o direito de controlar a mulher”, explicou Marisa Chaves. Ainda segundo a assistente social, o aumento do número de casos está relacionado à diminuição de políticas públicas. “O Ceom de Neves, fundado 18 anos, está fechado desde o ano passado. As mulheres se sentem abandonadas e acabam não tendo o auxílio necessário”, finalizou.

Relembre - Há duas semanas, Verônica Tatagiba de Carvalho, de 45 anos, foi morta com 11 facadas pelo ex-companheiro, Marco Antônio da Silva - com quem foi casada por 22 anos e teve dois filhos. O autor do crime foi preso apenas 15 horas após o crime.

Em fevereiro, a dona de casa Ana Paula Narciso, 37, foi encontrada morta, dentro de casa, na Comunidade do Escadão, no Galo Branco. O companheiro da vítima está foragido. Em janeiro, Greice Kelly da Silva, 29, foi encontrada morta num dos quartos do extinto Hospital Santa Maria, em Alcântara. O principal suspeito do crime é um guardador de carros, namorado da vítima, que teria fugido após enforcá-la com o auxílio de uma corda.

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