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Pais de menina morta por bala perdida em SG lutam por justiça

relogio min de leitura | Redação 11 de abril de 2016 - 23:01
Um mês da morte da Ana Beatriz, Diana e Robson voltaram à varanda onde a pequena Beatriz foi atingida por bala perdida enquanto brincava com os amiguinhos
Um mês da morte da Ana Beatriz, Diana e Robson voltaram à varanda onde a pequena Beatriz foi atingida por bala perdida enquanto brincava com os amiguinhos -

Por Renata Sena

“Ainda está doendo muito. Só Deus para me sustentar. Tive que sair do trabalho, tenho medo de ir à rua e ainda não consegui retomar minha vida. A Bia está fazendo muita falta. Acreditei que ela iria se recuperar, mas Deus sabe de todas as coisas. Como ela era muito vaidosa, eu não sei como ela seguiria com sequelas. Os pais sofrem, mas não querem ver os filhos sofrendo”.

Um mês após a morte da pequena Ana Beatriz Duarte e Sá, 5 anos - vítima de uma bala perdida no bairro Santa Catarina, em São Gonçalo -, a manicure Diana Duarte da Cruz, de 26 anos, voltou à varanda onde a filha foi atingida enquanto brincava com outras crianças durante um confraternização de família. Além das lembranças da ‘menina encantadora’, os pais da criança falaram sobre o desejo de justiça. “A Bia era uma criança que alegrava todo mundo. Na noite anterior ao ocorrido, ela ficou até tarde comigo dançando e cantando. Ela era muito ativa, sorridente. Agora só podemos pedir justiça. Minha vida está parada, não consegui voltar a trabalhar ainda. A gente dorme e acorda pensando nisso. Precisamos de uma resposta”, desabafou a manicure. Para a família, o caso só vai começar a ter um desfecho a partir da reconstituição do crime. Segundo agentes da Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo, a reprodução simulada só será feita assim que todos laudos periciais forem concluídos. “O Instituto Médico Legal tem até dia 10 para mandar os laudos e assim a polícia poderá fazer a reconstituição”, comentou o vigilante Robson Barbosa e Sá, de 32 anos, pai da menina.

Da varanda onde a menina foi baleada, com vista para ao Morro do Zumbi, de onde provavelmente partiu o disparo, Robson ratificou o desejo de que os responsável pelo crime seja punido, bem como o próprio estado.

“Não queremos que outras famílias passem pelo que estamos passando. Nada vai trazê-la de volta, mas vamos acionar a justiça contra o governo estadual, que tem que garantir nossa segurança. Sei que vai demorar, mas é uma forma de cobrar”, acrescentou.

Apesar da dor, Robson e Diana agradeceram o apoio de milhares de desconhecidos durante os cinco dias em que a pequena Bia lutou pela vida no Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no Colubandê.

“Temos que agradecer a todo mundo. Centenas de pessoas me mandaram mensagens de carinho e de força pela internet. Foi um caso que chocou toda a cidade. Meu desejo é de que isso não ocorra com outra família. Deus está nos sustentando. Com o tempo a dor ficará menor e restará apenas a saudade das coisas boas”, emocionou-se Diana.

Relembre - Ana Beatriz foi baleada no dia 6 de março, quando brincava com outras seis crianças na varanda da casa do tio, no bairro Santa Catarina. Inicialmente, a menina foi encaminhada ao Pronto Socorro de São Gonçalo (PSSG), no Zé Garoto, onde os médicos constataram que ela estava com uma bala alojada na cabeça. A criança foi transferida para a Unidade de Tratamento Intensivo do Heat, mas não resistiu.

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