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Ampla será responsabilizada por morte de família em SG

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 29 de março de 2016 - 21:37
 Lucas, Rafael, Gabriel e Adão (detalhe) morreram eletrocutados após rompimento de fio de média tensão que caiu sobre o carro da família, em Neves, São Gonçalo
Lucas, Rafael, Gabriel e Adão (detalhe) morreram eletrocutados após rompimento de fio de média tensão que caiu sobre o carro da família, em Neves, São Gonçalo -

Por Renata Sena

A Ampla será responsabilizada pela morte de quatro pessoas da mesma família, eletrocutadas após o rompimento de um fio média tensão que caiu sobre um carro, em Neves, São Gonçalo, no dia 3 de janeiro. 

De acordo com policiais da 73ªDP (Neves), o presidente da concessionária, um engenheiro técnico e um diretor técnico foram indiciados por homicídio com dolo eventual, que ocorre quando o agente, mesmo sem querer o resultado, acaba assumindo o risco de o produzi-lo. 

Segundo os peritos Pablo Souza e Leandro Terra, do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), falhas na manutenção e nos projetos da Ampla foram os fatores determinantes para causar as mortes do pequeno Gabriel Alcântara de Oliveira, de somente 11 meses, de seu irmão, Lucas Alcântara de Oliveira, 13, do pai dos meninos, Rafael Sérgio Alcântara Oliveira, 36, e do aposentado Adão Orlando Silva Moraes, 87. Todos morreram num intervalo de quatro minutos. Maria Nazaré de Alcântara Oliveira , 60, avó dos garotos, foi a única que escapou com vida, depois de ficar 26 dias internada. 

“Os cabos se romperam por fadiga do tempo no material. Trocar o poste e deixar os fios foi uma falha de manutenção. Outra falha encontrada foi no projeto, que religa a energia automaticamente. Nesse caso especifico, quando o cabo se rompeu a energia foi cortada, mas o condutor é projetado para religar a energia do local. Com isso, houve seis cortes de energia e cinco religamentos em somente quatro minutos”, explicou o perito Leandro Terra. 

Para a delegada Carla Tavares, titular da 73ªDP (Neves), quando a empresa e seus responsáveis fazem essa programação de religamento de energia assumem o risco de matar. 

“Com as peças técnicas colhidas durante as investigações, podemos concluir o inquérito e indiciar por quatro homicídios com dolo eventual e uma tentativa de homicídio o engenheiro técnico da região de sete Pontes, o diretor técnico e o presidente da Ampla. Não estamos dizendo que a Ampla queria matar, mas quando se programa um equipamento para religar a energia, assume-se esse risco. O correto seria que uma equipe fosse ao local para entender o motivo do desligamento, não somente religar a eletricidade sem pensar nas consequências”, emendou a delegada, que aguarda os três funcionários para prestarem depoimento na tarde de hoje.

Na época do incidente, a concessionária de energia alegou que o rompimento do fio foi causado por uma explosão ocorrida próxima ao local. No entanto, os peritos afirmam que um caso não teve qualquer relação com o outro. 

“Houve realmente a explosão, mas os fios mais próximos ao fato não foram sequer atingidos pelo explosivo. Com isso, podemos afirmar que esse não foi o fator do rompimento de cabos mais distantes. Descartamos totalmente essa possibilidade e garanto que houve foi falha de manutenção”, finalizou o perito Pablo Souza. 

Caso sejam condenados, os três funcionários da Ampla podem pegar de seis até 20 anos de prisão

Concessionária atribui acidente à explosão

Em nota à imprensa, a Ampla informou que tem convicção de que não tem responsabilidade pelo acidente. A empresa declarou que tem apresentado às autoridades todas as evidências que comprovam que a companhia e seus funcionários não são responsáveis pelo acidente.

A distribuidora afirmou também que a perícia não considerou dados fundamentais sobre as causas do acidente e já informados pela companhia à 73ªDP ao longo das investigações. Na hora do acidente, ainda de acordo com a Ampla, os técnicos identificaram em seu sistema um curto-circuito de grandes proporções, ocasionado pelo impacto da tampa de um freezer na rede nas proximidades do local. 

O objeto foi lançado em decorrência da explosão de um freezer provocada por terceiros e a companhia tem evidências da rede danificada nesse ponto. A Ampla lamentou o fato de a relação da explosão com o acidente não ter sido aprofundada pela perícia e acrescentou que se solidariza com a dor da família e que não medirá esforços para esclarecer todos os fatos. 

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