MP pede a prisão de homens apontados pela polícia como autores plano de execução de ator no Rio
O produtor artístico Bruno Souza e Jeander Vinicius da Silva Braga negam terem cometido crime, mas admitem terem participado de ação de ocultação do corpo da vítima

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) pediu, nesta quinta-feira (1º), a prisão temporária de Bruno de Souza Rodrigues e de Jeander Vinícius da Silva Braga, indiciados pelo homicídio qualificado e ocultação de cadáver do ator Jefferson Machado Costa. Na última segunda-feira (29), a Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) havia solicitado ao órgão a prisão de ambos.
De acordo com o pedido de prisão assinado pelo promotor Sauvei Lai, da 3ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada do Núcleo Rio de Janeiro, o crime foi premeditado por Bruno, com auxílio de Jeander. A execução do ator seria uma forma tentar ocultar golpes, com motivação financeira, que vinham sendo aplicados nas contas da vítima, que havia adquirido de Jeff, segundo a polícia, R$ 20 mil, a pretexto de incluí-lo em uma novela de televisão da TV Globo. A própria emissora fez comunicado a polícia, informando que ele fora demitido em 2018, comprovando a farsa montada por Bruno.
"Os ora indiciados são suspeitos de praticarem os crimes de homicídio e de ocultação de cadáver contra Jefferson, aproveitando-se do momento em que mantinham relação sexual com a vítima para pôr em prática plano criminoso, estrangulando-a e colocando o seu cadáver em um baú, para, posteriormente, ocultá-lo no terreno do imóvel alugado por Bruno, onde o enterraram e concretaram a cerca de dois metros de profundidade", diz o pedido de prisão.
Bruno, inquilino da casa onde o corpo foi encontrado, é considerado o principal suspeito e mentor do crime. A residência fora alugada pelo produtor de TV em dezembro do ano passado, um mês antes do desaparecimento do ator.
Golpes - Uma fatura bancária de Jeff Machado entregue à Polícia Civil, nesta segunda-feira (29), indica que o cartão de crédito do ator foi usado após o seu desaparecimento. De acordo com o boleto de fevereiro de 2023, foram feitas quatro transações entre os dias 23 e 26 de janeiro, mesmo período em que a polícia acredita ter ocorrido a morte do ator. A movimentação suspeita é de R$ 5.392,02.

Uma outra prova incluída no inquérito foi uma multa recebida pelo carro de Jeff no período em que ele estava desaparecido. A distância entre o local onde o carro foi multado e a casa em que o corpo de Jeff foi encontrado, na Rua Itueira, em Campo Grande, Zona Oeste, é de 12km. Já Jeander teria auxiliado Bruno a ocultar o corpo do ator dentro de um baú e enterrado o objeto a dois metros de profundidade no terreno da residência.
Tanto Bruno como Marcelo admitem apenas terem participado da ocultação do corpo, sendo que o primeiro declarou à polícia ter agido sob coação de um homem que identificou como Marcelo, que segundo ele,também seria amigo de Jeff e autor dos golpes e do assassinato. A polícia, no entanto, reuniu provas de que Bruno cometeu os crimes e chegou a conclusão, nas investigações, que 'Marcelo' nunca existiu, sendo um personagem 'inventado' pelo produtor para tentar não ser incriminado.