Último adeus marcado pela dor e por pedidos de justiça

“Tenho orgulho de ter criado uma criança de bem, que infelizmente teve a vida interrompida de forma trágica”. Em meio às lágrimas, essas foram as palavras de Carla Costa, mãe do estudante João Vitor Costa Pereira, de apenas 14 anos, momentos antes do enterro do corpo do jovem, no Cemitério de São Miguel, em São Gonçalo, na tarde de ontem. O menino morreu após ser atingido por uma bala perdida, na noite de sábado, quando jogava bola com os amigos, próximo de casa, no Mutuapira.
Cerca de 300 pessoas, entre amigos e familiares, vestiram camisas com a foto de João Victor e acompanharam o cortejo. Em protesto, eles fecharam a Rua Doutor Nilo Peçanha durante cinco minutos e pediram justiça. A banda da Escola Municipal José Manna Júnior, no Bairro Antonina, onde a vítima estudava, realizou a última homenagem ao menino. Muito emocionados, os colegas de classe de João Victor não conseguiam conter as lágrimas pela perda tão precoce do menino que se destacava por tocar bumbo na banda da instituição de ensino. Comandante do 7ºBPM (São Gonçalo), o coronel Samir Vaz Lima esteve no velório para prestar as condolências para a família da vítima. Ele afirmou que o tiro que atingiu o estudante foi efetuado por um traficante.
“A nossa viatura tinha passado pelo local onde o João estava. No momento em que ele foi atingido, os policiais ainda não tinham desembarcado do carro”, explicou.
Investigações - De acordo com agentes da 73ªDP (Neves), responsáveis pelas investigações, o autor do disparo que matou João Victor foi Mayron Oliveira Xavier, o Romarinho, de 23 anos, preso em flagrante pela PM, na noite de sábado, com uma pistola e drogas, no Morro da Doze. “Ele foi reconhecido por testemunhas. Agora, só falta o resultado do confronto balístico, para termos a certeza que o tiro partiu da arma encontrada com Mayron. Se confirmado, ele irá responder também pelo crime de homicídio, além de tráfico de drogas, associação ao tráfico e porte ilegal de arma”, esclareceu a delegada Carla Conceição Guimarães Tavares, titular da distrital. Em apenas uma semana, João Victor foi a segunda criança vítima de bala perdida em São Gonçalo. No último dia 6, Ana Beatriz Duarte e Sá, de apenas 5 anos, morreu após ser atingida por um tiro de fuzil na nuca durante uma confraternização de família. Ela chegou a ser socorrida e lutou pela vida por quatro dias no Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no Colubandê, mas não resistiu.