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Tiros que interrompem sonhos

relogio min de leitura | Redação 13 de março de 2016 - 23:12
João Victor brincava com amigos quando foi baleado
João Victor brincava com amigos quando foi baleado -

Os sonhos de mais um pequeno gonçalense interrompidos por uma bala perdida. Mais um futuro caído no meio da Rua Oscarina Maciel, no Mutuapira, sob os olhares assustados de meninos da mesma idade. O estudante João Victor Costa Pereira, aos 14 anos, brincava com amigos, na noite de sábado, quando foi atingido por um tiro na cabeça. Levado às pressas para o Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no Colubandê, o adolescente não resistiu.

De acordo com a polícia, João Victor jogava futebol próximo à rua em que morava com a família, no Morro da Doze, quando policiais do 7ºBPM (São Gonçalo) chegaram à comunidade para apurar uma denúncia de tráfico. Os PMs foram recebidos a tiros pelos criminosos, próximo à um trailer. Um dos disparos efetuados pelos traficantes acabou atingindo o menino. Após o confronto, o avô de João Victor percebeu que o neto estava ferido e informou aos policiais militares, que o encaminharam para o Heat. No entanto, o menino não resistiu ao ferimento e morreu na unidade, no início da tarde de ontem.

Prisão - Ainda segundo a polícia, o autor do disparo que matou o adolescente foi Mayron Oliveira Xavier, o Romarinho, 23, preso durante a ação. Com ele, foi apreendida uma pistola calibre nove milímetros, arma que deve ser encaminhada para confronto balístico. Também foram apreendidos um rádio transmissor, um carregador de rádio, dois celulares, 26 cápsulas de cocaína, seis pedras de crack e 11 trouxinhas de maconha. Segundo a delegada Norma Lacerda, da 73ªDP (Neves), Mayron foi autuado pelos crimes de tentativa de homicídio, tráfico de drogas e associação ao tráfico. No entanto, após a morte de João Victor, o caso deve ser transferido para a Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo (DHNISG).

Memória - A morte do adolescente aconteceu apenas uma semana após a pequena Ana Beatriz Duarte e Sá, de apenas cinco anos, ser vítima de uma bala perdida, em Santa Catarina, São Gonçalo. Assim como João Victor, ela também brincava com outras crianças, na Travessa Manuel Luiz de Souza, quando foi baleada na nuca. Após lutar pela vida durante quatro dias no hospital, Bia, como era carinhosamente chamada, não resistiu. Nas redes sociais, familiares da menina se solidarizaram com a dor da família do adolescente e protestaram contra a violência no município.

“Hoje a minha família sofre com a perda da minha sobrinha Ana Beatriz, que foi brutalmente vítima dessa violência em que vivemos, e acabo de saber que mais uma mãe perdeu o seu filho baleado na cabeça. Mais uma família chorando, mais uma mãe e pai desolados e mais uma criança com o seu sonho interrompido. Até quando, autoridades? Vamos ter que blindar nossas crianças? Que Deus conforte o coração da família do João”, lamentou um parente de Bia.

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