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Operação 'Fim do Mundo' quer desmantelar quadrilha de tráfico e lavagem de dinheiro

Operação conjunta do MP com a PF tem como objetivo cumprir 18 mandados de prisão e outros 31 de busca e apreensão em três estados

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 26 de janeiro de 2023 - 07:41
Operação Fim do Mundo
Operação Fim do Mundo -

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ), em conjunto com a Polícia Federal, através da Delegacia de Repressão às Drogas (DRE-PF), realiza nesta quinta-feira (26) a operação Fim do Mundo, contra organização criminosa responsável por traficar armas e drogas para integrantes de uma das principais facções criminosas em atuação no Rio de Janeiro.

O objetivo é cumprir 18 mandados de prisão e outros 31 de busca e apreensão em três estados: Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina. Os mandados foram expedidos pelo Juízo da 1ª Vara Criminal Especializada da Capital, a pedido do MPRJ, que também requereu o sequestro de bens móveis e imóveis dos denunciados.

A denúncia demonstra que os alvos da operação fornecem armas e drogas para lideranças do tráfico, que revendem esses produtos ilícitos em diversas comunidades do Rio de Janeiro dominadas pela facção Terceiro Comando Puro (TCP), além de localidades de Belo Horizonte, em Minas Gerais.

O denunciado Edivaldo Freitas Portugal, vulgo Edinho Portugal, é apontado como um dos líderes dessa associação criminosa, cabendo a ele o gerenciamento financeiro e a coordenação da logística da compra e venda das cargas fornecidas. A investigação verificou que um dos pontos de descarga das drogas e armamentos ilegais era a CEASA (Central de Abastecimento do Estado do Rio de Janeiro), utilizada por traficantes devido à proximidade com a Comunidade de Acari.

A denúncia demonstra que os alvos da operação fornecem armas e drogas para lideranças do tráfico
A denúncia demonstra que os alvos da operação fornecem armas e drogas para lideranças do tráfico |  Foto: Divulgação
 

Já Sebastião Fernando de Oliveira é apontado pela denúncia como um dos fornecedores, enquanto Sandro Rogério de Souza, Gabriel Salabert da Silva Santos e Fábio Moraes da Silva, vulgo Fabinho PDQ, atuam como braços financeiros, efetuando pagamentos e utilizando manobras para lavar o dinheiro ilícito angariado com o tráfico. Para se ter ideia do lucro movimentado pelos criminosos, a denúncia descreve que Edivaldo adquiriu um imóvel de veraneio por R$ 2.5 milhões, e comprava automóveis de luxo que custavam centenas de milhares de reais.

A aquisição de veículos de alto luxo (BMW, Porsche, Mercedes, entre outros) era uma das maneiras utilizadas por Edivaldo para lavar o dinheiro obtido com o tráfico. Esses carros e imóveis de luxo eram registrados em nomes de "laranjas" para ocultar a real propriedade dos bens.

Outro núcleo importante de denunciados é o dos chamados "Irmãos Castro", liderados por Renato Castro Belchior, vulgo Chaveirinho, e Rodrigo Castro Caetano, vulgo Espeto. A dupla de irmãos e seus comparsas mantinham estreitas relações com os traficantes de armas e drogas, lavando o capital ilícito do tráfico através da compra de imóveis, veículos e embarcações de luxo na cidade de Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Segundo o MPRJ e a PF, eles também negociavam o fornecimento de entorpecentes e armas, conforme diálogos nos quais tratam da venda de cargas de 300 a 1.600 quilos de entorpecentes, e dezenas de armas de fogo, inclusive fuzis.

As investigações tiveram início em 2019, após uma série de apreensões pela PF de toneladas de drogas, armas e munições, entre elas carregamentos de fuzis, que tinham como destino as comunidades de Acari e Vila Aliança, na Capital do Rio. Com o avançar da apuração, foi possível identificar os principais responsáveis por abastecer as comunidades do TCP com armas e drogas, bem como as suas estratégias para operar o esquema.

Entre os crimes imputados pelo GAECO/MPRJ aos denunciados estão o de associação criminosa e associação para o tráfico de drogas, organização criminosa e lavagem de capitais.

Após longo trabalho investigativo entre o MPRJ e a Polícia Federal , as denúncias foram oferecidas junto à Vara Criminal Especializada em novembro de 2022.

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