Jardineiro é morto a caminho da casa da mãe em Ititioca
O jardineiro Paulo Henrique Duarte, de 37 anos, foi morto com um tiro nas costas, no final da noite de sexta-feira, na Ititioca, em Niterói. De acordo com testemunhas, Paulo foi atingido por um tiro de fuzil, disparado por um policial militar.

Renata Sena O jardineiro Paulo Henrique Duarte, de 37 anos, foi morto com um tiro nas costas, no final da noite de sexta-feira, na Ititioca, em Niterói. De acordo com testemunhas, Paulo foi atingido por um tiro de fuzil, disparado por um policial militar. A PM nega que havia operação na comunidade, naquele horário. O corpo da vítima só foi retirado do local ontem cerca de 10 horas depois do crime, quando agentes da Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo (DHNISG) foram acionados. De acordo com testemunhas, Paulo Henrique estava chegando na casa da mãe, na Rua D, no interior da comunidade da Ititioca, quando foi alvejado pelo tiro certeiro, que o matou na hora. Ainda segundo populares, os policiais estavam parados na esquina da comunidade e depois de revistarem e baterem em alguns moradores, um PM teria subido na viatura e efetuado um disparo, que atingiu a vítima. “Os policiais pararam aqui, revistaram alguns garotos e, quando já estavam saindo, um PM subiu no carro e deu um tiro de fuzil pra dentro da comunidade. Ele nem olhou para ver se tinha acertado em alguém. Deu o tiro, entrou no carro e foi embora. A gente ficou aqui, com o jovem trabalhador e de família caído morto no meio da rua”, desabafou uma moradora que alega ter visto a toda a cena. Apesar das acusações contra um policial militar, o comandante do 12º BPM (Niterói), Coronel Fernando Salema, afirma que não haviam agentes na região, na hora do crime. “Meus policiais do Grupamento de Ações Táticas (GAT) estavam baseados na delegacia registrando uma ocorrência, e os de patrulhamento não estavam naquela região. Além disso, temos horário para realização das nossas operações. Ali é uma área de risco, onde o tráfico é atuante”, explicou Salema. A família de Paulo, no entanto, só pede que a justiça seja feita. “Sabemos que aqui é um local de risco, e que os PMs tem um trabalho muito perigoso. Mas a função da polícia é abordar, não matar. Eu não estava no local, mas meus primos, tios e vários colegas moram aqui estão contando o que aconteceu. Se foi um PM, ele errou. Pior ainda foi abandonar o corpo aqui. Eles deveriam ter assumido o caso e justificado o erro. Só vamos lutar agora para que a memória dele não fique suja. Paulo era trabalhador e nunca foi criminoso”, desabafou um primo da vítima. O corpo de Paulo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) do Barreto, onde passará por exames necropsiais. Investigação – Agentes da DHNISG, sob o comando do delegado Tiago Dorigo, foram ao local do crime, periciaram o corpo e assumiram as investigações. Um jovem, que teve a identificação preservada, e alega ter sido agredido pelos mesmos PMs, foi encaminhado para a especializada, onde prestou depoimento sobre o caso. Familiares e testemunhas do crime também foram ouvidos na DH. Policiais militares fizeram reforço da segurança na região e desobstruíram a via de moradores que protestavam pelo ocorrido. Histórico – Segundo parentes, Paulo Henrique trabalhava em um pequeno sítio em Itaipu, Região Oceânica de Niterói, e passava a semana na casa da mãe, na Ititioca, e seguia para Minas Gerais no fim de semana, onde morava com a esposa e os dois filhos, um de 2 e outro de 8 anos. Na noite do crime, Paulo chegou a ir a rodoviária, mas não conseguiu passagem para Minas e acabou voltando para Ititioca, onde tomou uma cerveja, num bar e, por volta das 23h30, seguiu a pé para casa da mãe quando foi atingido. Com o coração recém-operado, a mãe de Paulo foi poupada da triste notícia até o final da manhã de ontem, quando o corpo foi retirado do local.