Jornalistas são agredidos e ameaçados em atos terroristas no DF
Sindicato informou ter recebido pelo menos 12 relatos; casos incluem espancamentos e roubo de material

Jornalistas que estiveram cobrindo os atos terroristas no Distrito Federal do último domingo (08/01) foram agredidos por manifestantes envolvidos nos protestos antidemocráticos. Segundo o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF), pelo menos 12 profissionais da imprensa foram feridos ou ameaçados até a manhã desta segunda-feira (09/01).
Entre os relatos recebidos pelo Sindicato, está o de uma repórter fotográfica do jornal "Metrópoles", que contou ter sido derrubada e agredida por cerca de 10 homens. Ela também relatou ter tido o material danificado pelos manifestantes. Repórteres da TV Band, da Agência Reuters e da Folha de S. Paulo também tiveram seus materiais de trabalho destruídos e/ou roubados.
Correspondentes de veículos da imprensa internacional também reportaram casos de violência. De acordo com as denúncias, uma jornalista do The Washington Post (EUA) foi derrubada e agredida com chutes, e só conseguiu ser socorrida depois que outro repórter testemunhou e acionou ajuda do Ministério da Defesa.
Um repórter da Agência Anadolu (Turquia) contou que levou tapas no rosto enquanto tentava registrar os atos de vandalismo cometidos por manifestantes no Palácio do Planalto. Já um jornalista da Agência France Press (França), foi agredido e teve seu material de trabalho roubado durante as manifestações.
Além deste, também foram reportados casos de jornalistas que foram ameaçados com armas de fogo. É o caso de um repórter do jornal "O Tempo", que contou ter sido agredido dentro do Congresso e teve dois fuzis apontados contra seu rosto, e de uma analista política do portal "Brasil 247", que recebeu ameaças de linchamento e foi agredida. Ambas as vítimas disseram ter solicitado ajuda de policiais militares presentes no local, que teriam ignorado, conforme contam os relatos.
Por fim, manifestantes e suspeitos também foram registrados xingando e tentando invadir o carro de uma repórter da Rádio Jovem Pan, agredindo e tentando levar o equipamento de um fotógrafo do portal Poder360, e puxando um jornalista da Agência Brasil pelo crachá. Este último sofreu escoriações na região do pescoço.
Em nota, a SJPDF disse que "se solidariza com todos e todas profissionais e cobra das forças de segurança do DF ações efetivas para que algo parecido nunca mais aconteça". O Sindicato também se ofereceu para oferecer aos profissionais afetados e exigiu das empresas jornalísticas "a adoção de medidas de proteção, reforço das equipes e dos equipamentos de proteção individual (epi) para que as e os profissionais possam exercer seu trabalho em segurança".
Firjan condena atos antidemocráticos
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro soltou nota condenando os atos cometidos em Brasília, neste domingo.
"São condenáveis os atos que extrapolam os limites da democracia, promovem depredação do patrimônio público e o desrespeito às instituições e aos símbolos do estado, como os que ocorreram em Brasília, neste domingo, 8/1. A Firjan reafirma seu compromisso com a democracia e com a construção de um ambiente econômico, social e político que caminhe na direção do desenvolvimento do país".