Amigos e familiares de mototaxista preso no Jardim Catarina protestam em SG
Eles alegam que o jovem foi preso injustamente e sem provas

Familiares, amigos e colegas de trabalho do mototaxista Marcos Vinicius, de 20 anos, preso no Jardim Catarina, em 13 de setembro, realizaram uma manifestação na manhã desta terça-feira (20), próximo a entrada do bairro, na RJ-104.
O protesto marcado por gritos de 'justiça' e de 'Catarina pede paz', foi pacífico e acompanhado por cerca de 40 pessoas. Militares do Batalhão De Polícia Rodoviária (BPRV) acompanharam a manifestação e mantiveram uma pista da rodovia liberada.
"Morador de comunidade, negro e mototaxista, sempre será mais fácil de acusarem. Para os hipócritas, um negro, trabalhador e pai de família, com uma criança de três meses, ficar no fundo de uma cadeira sendo acusado de um crime que não cometeu é certo", falou a avó de Marcos Vinicius.
Mototaxistas e amigos de trabalho do jovem também participaram do ato e pediram justiça.

Relembrando
Marcos Vinicius, de 20 anos, está preso desde o dia 12 de setembro após uma ação da Polícia Militar no Jardim Catarina, em São Gonçalo. Segundo a polícia, ele foi encontrado no chão e com uma pistola ao lado após uma intensa troca de tiros entre criminosos e os policiais na localidade. Porém, os parentes do mototaxista contam outra versão e que ele nunca esteve envolvido em atividades criminosas e nem participou do confronto armado entre os policiais e os suspeitos na última semana.
Segundo a avó de Marcos Vinícius, ele estava indo para a casa dela de motocicleta quando foi abordado por criminosos, que o obrigaram, mediante ameaça, a levá-los na garupa. Os dois criminosos estavam na verdade fugindo da polícia e, durante a fuga, um dos criminosos atirou contra os policiais, o que deu início a uma troca de tiros e um dos disparos acabou atingindo a perna de Marcos.
Parentes de Marcos Vinícius foram informados de que ele foi baleado e estava caído no chão com a perna ferida. Segundo Gilcilene, tia do jovem, seu marido foi de carro ao local para socorrer Marcos Vinícius, mas foi impedido pelos policiais, que o levaram para o Hospital Estadual Alberto Torres. Ainda segundo a tia, na unidade, os policiais teriam pedido a identidade de Marcos Vinícius. Em posse do documento, os agentes teriam tirado uma foto da identidade e enviado para um grupo de Whatsapp com outros policiais. Logo após o envio da foto, um dos agentes já teria logo decretado que ele era bandido.
Logo após o tratamento, Marcos foi encaminhado para a 73ª DP (Neves), onde foi preso acusado de associação ao tráfico, tentativa de homicídio e porte ilegal de armas.
A família acredita que este é mais um caso de um jovem negro sendo preso injustamente com falta de provas que possam incriminá-lo.