Corpo de PM fuzilado perto de casa é enterrado em São Gonçalo

Cerca de 300 pessoas deram o último adeus a Multlock, ontem, no Cemitério de São Gonçalo
Foto: Julio DinizPor Elena Wesley e Celso Brito
Pelo menos 300 pessoas - entre amigos, familiares e colegas de farda -compareceram ao enterro do cabo Luiz Carlos Barbosa de Lima Júnior, conhecido como Multlock, na tarde de ontem, no Cemitério São Miguel em São Gonçalo. O PM do 12ºBPM (Niterói) foi assassinado a tiros na manhã de domingo, no Porto da Pedra, quando saía de casa para trabalhar.
O carro blindado do PM foi alvejado com cerca de 15 projéteis de fuzil AK-47, todos do lado do motorista, por ocupantes de uma Fiorino branca. O pai de Multlock ouviu os disparos e acionou a polícia para socorrer o filho, mas a vítima não resistiu.
Policiais militares que prestavam homenagem ao cabo durante sepultamento não escondiam a emoção pela perda. Entre os familiares, a esposa de Multlock era a mais abalada. Casado há dois anos, ele deixa um filho de dois meses.

Também emocionado, o comandante do 12ºBPM, coronel Gilson Chagas, definiu Multlock como um herói e prometeu encontrar os autores do crime.
“Perdemos um de nossos maiores homens. Ele e sua equipe marcaram o batalhão. A polícia não medirá esforços para chegar aos autores, não importa quem sejam. A dor é muito grande neste momento, mas é nessa hora em que encontramos forças para trabalhar com mais afinco e honrar a memória de heróis como ele”, declarou o oficial. Lotado no Grupamento de Operações Táticas do 12ºBPM, Multlock estava na corporação há cinco anos.
Investigação - De acordo com o coronel Chagas, a investigação seguirá em sigilo. Três dias antes do assassinato, o cabo havia publicado numa rede social um comentário sobre um possível atentado. Na última quarta, Multlock participou de uma operação no Morro do Palácio, no Ingá, que culminou na prisão de Anderson Souza Leite, o Bozo, um dos criminosos mais procurados do município.
De acordo com policiais da DH, a investigação ainda está na fase da busca de imagens no local do crime e de possíveis pontos onde os criminosos podem ter passado. Os agentes também procuram ouvir depoimento de pessoas próximas ao policial, parentes, amigos mais próximos e outras pessoas que possam contribuir com as investigações.
Recordando - Em 2014, outros dois policiais do batalhão niteroiense foram assassinados a tiros de fuzil, fora do horário de serviço, na região. Em novembro, o sargento Douvair Martins de Vasconcellos morreu após ter a casa, em Itaipuaçu, Maricá, invadida por quatro homens armados com fuzis. Em fevereiro, o sargento Joílson da Silva, 40, foi executado com mais de 20 tiros, no Morro do Castro.