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Mulher negra lamenta absolvição de PM que pisou em seu pescoço

O soldado e seu parceiro foram absolvidos pelo conselho de sentença da Justiça Militar

relogio min de leitura | Redação 26 de agosto de 2022 - 08:20
Mulher negra sendo pisoteada por PM na Zona Sul de São Paulo
Mulher negra sendo pisoteada por PM na Zona Sul de São Paulo -

O policial militar que pisou no pescoço de uma mulher negra durante abordagem em Parelheiros, na Zona Sul de São Paulo, em 2020, foi absolvido por um conselho de sentença formado por um juiz civil e quatro oficiais da PM, nesta terça-feira (23). A vítima, que preferiu não ser identificada, lamentou a decisão da Justiça, em entrevista ao g1.

"Ser injustiçada assim é muito triste. Fiquei muito indignada. Fui trabalhar sem chão. Cada dia que passa, a gente fica cada vez mais envergonhada de ser brasileira. Ele [policial] precisa de um tratamento. Não merece usar farda da Polícia Militar. Têm policiais bons que honram a farda. Mas, infelizmente, há os que não honram.", afirmou ela.

O Ministério Público denunciou o soldado João Paulo Servato, flagrado pisando no pescoço da mulher, pelos crimes de abuso de autoridade, falsidade ideológica, inobservância de regulamento e lesão corporal. Parceiro de Servato, o cabo Ricardo de Morais Lopes também foi denunciado e absolvido das acusações de falsidade ideológica e inobservância de regulamento. A defesa dos policiais alegou que eles não cometeram nenhum crime.

O advogado da vítima, Felipe Morandini, por sua vez, informou que vai recorrer da decisão. A Justiça Militar marcou uma nova audiência para a leitura e publicação da sentença no dia 30 de agosto. “Vou lutar até o fim para algo a meu favor. Não precisava ter agredido meu pescoço, pisado nas minhas costelas. Ele merece punição. Se a gente não lutar pelos nossos direitos, quem vai lutar?”, ressaltou a mulher.

A vítima também falou sobre sua vida e a de sua família após o ocorrido. Ela conta que ficou traumatizada, enfrenta dificuldades para socializar, perdeu seu emprego e só há dois anos arrumou um novo serviço como cozinheira.

“Fiquei dois anos sem trabalhar e sem vida. Só fazendo o básico, como ir no mercado, açougue e casa. Minha mente ficou perturbada, meu psicológico ficou abalado. Minha família sentiu bem isso. O pessoal ficou com medo de represália e até meu filho até perdeu emprego na época. A minha mente nunca mais foi a mesma e a pior dor é a psicológica.”, relatou.

A vítima disse ainda que convive com dores severas decorrentes das lesões causadas pelo policial e que sente como se tivesse renascido após sobreviver ao ataque, lembrando o caso de George Floyd, homem negro morto por um policial branco que ajoelhou em seu pescoço, em Minneapolis, nos Estados Unidos, em maio de 2020.

“A perna incha todos os dias. Tenho muita dor no calcanhar, no pescoço onde ele bateu. Quando tem mudança de tempo, por exemplo, eu sinto dores no pescoço, ouvido. Ele praticamente esmagou minha cabeça. Se nos Estados Unidos aquele homem negro, o George Floyd, morreu por não aguentar a agressão, imagina o que causou comigo esse pisão, que sou magra? Costumo falar que eu nu nasci de novo no dia 30 de maio por ter sobrevivido.,

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