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Violoncelista Luiz Carlos Justino, preso injustamente em 2020, é detido mais uma vez

Rapaz foi preso enquanto jogava bola na Praia de Charitas

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 24 de agosto de 2022 - 09:32
Luiz Carlos faz parte da Orquestra musical da Grota
Luiz Carlos faz parte da Orquestra musical da Grota -

Preso por engano em 2020 através de um reconhecimento pela sua foto de perfil em uma rede social, o músico Luiz Carlos Justino passou quatro dias de pesadelo até que a Justiça finalmente reconhecesse que foi vítima de uma prisão injusta. Porém, quase dois anos depois, Justino passou pelo mesmo problema e voltou a ser detido sem explicações mais uma vez. 

De acordo com o relato de pessoas próximas ao músico, ele estava em Charitas, na Zona Sul de Niterói, voltando de uma partida de futebol com os amigos da Grota, quando foi abordado por agentes da operação Segurança Presente Niterói. Os oficiais estavam em uma blitz e pediram a documentação de identidade do artista. Ao verificarem a foto da identificação no sistema do Banco Nacional de Monitoramento de Prisões, foi constado um mandado de prisão em aberto.

O rapaz foi levado para a 79° DP (Charitas). Foi só ao chegar lá que os policiais percebram que o mandado correspondia a prisão injustamente ordenada a ele em 2020. Ainda segundo o relato, o músico de 26 anos ficou incomunicável até ser solto, já que teve seu direito de realizar um telefonema proibido pelos policiais.

"Pela segunda vez, o violoncelista da Grota, Luiz Carlos Justino, um menino de 26 anos, foi detido injustamente pela polícia. O crime dele? Ser pobre e negro. Ele estava jogando futebol com os amigos na Praia de Charitas, em Niterói, quando foi abordado pelos policiais", contou a jornalista Ana Claudia Guimarães. "Os policiais levaram ele para a delegacia e ele ficou incomunicável, o que não é permitido, qualquer um tem direito a um telefonema, mas não deram esse direito para o Justino. Ele ficou horas lá na delegacia e foi solto. Já é a segunda vez que Justino vai preso", completou.

Ainda segundo ela, desde sua prisão injusta em 2020, Justino precisou passar por terapia e desenvolveu alguns problemas por medo de passar pela mesma situação, que aconteceu mais uma vez nesta semana.

"De lá pra cá, ele teve que fazer terapia, ele tem uma série de problemas de concentração por medo de passar pelo que ela já passou. É indescritível, o que o Justino está passando", concluiu.

Questionada, a Operação Segurança Presente afirmou que o sistema utilizado é "atualizado a partir da informações dos vários órgãos judiciários" e que o mandado para Justino constava nele no momento da abordagem. De acordo com a Operação, os oficiais só souberam que o mandado já havia sido removido ao verificar no banco de dados da Polícia Civil. Uma solicitação judicial pedindo para que o mandado seja retirado dos autos os autos já foi atendida pela Justiça do município na manhã desta terça (23/08).

Através das redes sociais, a Orquestra da Grota manifestou sua solidariedade para com o músico, que já está em casa se recuperando do acontecido. "Vamos até o fim na apuração desse caso, para que uma atrocidade dessas não se repita", reforça o texto compartilhado pelo grupo.

Absolvido em 2021

Após sair da prisão por falta de provas em 2020, a Justiça ainda havia determinado que Luiz Justino cumprisse prisão domiciliar. O jovem só conseguiu dar seu suspiro de alívio em junho 2021, quando foi absolvido de todas as acusações na audiência de instrução e julgamento, que aconteceu no Fórum de Niterói.

"Alívio, cara, é o que eu tô sentindo, tô muito aliviado, porque graças a Deus, foi tudo esclarecido de uma forma correta. Sei nem te explicar a sensação que eu tô sentindo realmente, só tô respirando mais leve, sinto que consigo pular até mais alto agora", comemorou Luiz em junho do ano passado.

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