Mulher assassinada em Piratininga já havia denunciado companheiro, afirma família
Segundo familiares, existia uma medida protetiva que deveria impedir acusado de se aproximar da vítima

"Ela denunciou ele duas ou três vezes. Sempre com hematomas, fazendo exame de corpo de delito e mesmo assim ele nunca foi preso. Se tivesse sido, isso não teria acontecido". O relato de Khayane Fernandes, de 18 anos, sobrinha de Letícia Dias, de 27, morta nesta terça-feira (26), na região oceânica de Niterói, pelo ex companheiro Flávio Fonseca, 36, que 24h antes do crime conseguiu, na justiça, a guarda dos filhos que tinha com sua vítima, mostra, além de tristeza, que a fraqueza das leis podem levar casos de violência doméstica a fins trágicos.
Morta a facadas pelo ex, Letícia, segundo sua família, havia se separado do rapaz e até mudado seu local de moradia para ficar longe de seu algoz. Distância essa que foi imposta pela justiça, mas que nunca foi cumprida pelo acusado.
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"A relação deles era de briga, só briga. Eram 9 anos de briga. Ela tinha se separado dele, estava vivendo a vida dela. Ela saiu de Piratininga para morar em Itaipu para ficar longe dele. Existia uma medida protetiva para ele não chegar perto dela, mas ele não respeitava. Na última briga, ele foi na delegacia com ela. Avisaram que ele não poderia chegar perto dela, mas ele disse que continuara chegando", relatou a sobrinha da vítima.
Uma amiga de Letíca lembrou também que Flávio já havia demonstrado que poderia matar a mãe de seus filhos. Segundo Brenda Jéssica de Araújo, de 24 anos, o acusado já havia ameaçado, tanto sua amiga, quanto a irmã dela.
"Não só ameaçou a Letícia, mas também a irmã dela. Ele disse que se elas falassem alguma coisa, ele as mataria. Infelizmente, nós mulheres não temos paz", disse.
Letícia tinha três filhos, dois deles com Flávio. Segundo Brenda, os dois viram o momento em que o pai matou a mãe, entretanto, por conta da pouca idade, eles ainda não tem ideia do que aconteceu.
"Os dois viram. O mais velho, de 9 anos, está perguntando pela mãe toda hora. O outro é mais novo. A gente não sabe nem por onde começar a contar", relatou.
Investigação
A delegada Danielle Peres, da Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo (DHNISG), contou que ainda não é possível afirmar que a arma utilizada no crime foi uma faca. Ela disse também que o laudo do IML vai direcionar melhor o que de fato ocorreu.
"Não sabemos o instrumento. Quando fizemos a perícia tinha uma marca na região do pescoço de corte. Não sabemos se foi faca ou não. Mas foi um objeto cortante. Provavelmente ele fugiu fugiu com o instrumento pois não encontramos dentro do local do crime. Uma testemunha que estava dentro da associação de moradores disse que viu ele desferindo dois socos nela na região do ombro e do pescoço. Acredito que já tenha sido o golpe com o objeto, pois é na altura de onde tinha a marca. O corpo estava com muito sangue, então acredito que o laudo do IML vai poder nos dizer mais. Mas pelo que vi ontem, um único golpe no pescoço foi a causa da morte".