Polícia investiga se modelo já chegou ao hospital desacordada

Médico Wagner Moraes chegou à delegacia acompanhado de sua advogada, Verônica Lagassi, para prestar depoimento sobre a morte da modelo Raquel Pontes durante cirurgia estética
Foto: Sandro NascimentoPor Marcela Freitas
A polícia encontrou divergências nos depoimentos prestados pelo médico Wagner Moraes -responsável pelo procedimento estético na modelo gonçalense Raquel Pontes dos Santos, 28, morta na última segunda-feira - e pelo marido dela, o empresário Gilberto de Azevedo.
“O Gilberto disse que a Raquel chegou desacordada ao hospital, passando muito mal e sem consciência. Já o cirurgião disse que ela reclamava de falta de ar e faleceu depois de ser atendida pela equipe médica do hospital”, explicou o delegado Mário Lamblet, titular da 79ªDP (Jurujuba).
O cirurgião chegou à delegacia, ontem pela manhã, visivelmente abatido. A substância utilizada na modelo durante intervenção estética - ácido hialurônico -foi entregue à polícia e será encaminhada para a perícia técnica.
O médico negou que o procedimento tenha provocado a morte da jovem. “Trouxe toda as documentações necessárias. Ela fez uma intervenção simples subcutâneo e sem anestesia. Só que já realizava outros procedimentos, que eram agressivos”, disse Moraes.
Segundo o delegado Mário Lamblet, o médico garantiu que a modelo chegou ao Hospital de Clinicas de Icaraí, ainda com vida, reclamando de dores e dificuldades pra respirar. Ele também informou que o laudo sobre a causa da morte da modelo deve sair nos próximos dias.
“Já juntamos os documentos sobre a internação da paciente e a substância que foi aplicada nela. O médico alega que a Raquel chegou ainda com vida no hospital. Vamos ouvir a equipe médica que a atendeu no hospital e tirar todas as dúvidas”, declarou o delegado.
A advogada do cirurgião, Verônica Lagassi, disse que seu cliente está tranquilo com relação à defesa. “Ao que tudo indica é que de fato o óbito foi decorrente do uso diário de uma substância para medicação de animais”, comentou a advogada.
Em relação ao atestado de óbito assinado pelo cirurgião, a advogada ressaltou que a modelo foi encaminhada lao hospital mais próximo.
“Essa unidade tem por praxe não emitir a certidão de óbito de quem entra na emergência externa em menos de 24 horas. Ele foi orientado a conseguir o atestado em outro órgão, como ocorre quando alguém morre em casa”, disse.
Recordando - Raquel começou a passar mal logo após realizar um procedimento estético, na noite da última segunda-feira. O marido da modelo, o empresário Gilberto de Azevedo, 33, disse que foi à clínica buscá-la, por volta das 18h40, quando a jovem começou a se sentir mal.
Preocupado, ele decidiu levá-la ao Hospital Icaraí, no Centro, onde ela já chegou com o quadro de parada cardiorrespiratória e não resistiu. Após a acusação de negligência médica por parte dos familiares, o velório da jovem foi interrompido, na terça-feira, e o corpo levado para o Instituto Médico Legal (IML) de Niterói, onde foi submetido à autópsia. O enterro da modelo ocorreu somente no dia seguinte, no Cemitério Parque da Paz, no Pacheco.