Modelo gonçalense morre após cirurgia estética no rosto

Velório de Raquel foi interrompido por policiais civis, que levaram corpo da jovem para autópsia
Foto: DivulgaçãoPor Celso Brito e Daniela Scaffo
Policiais da 76ªDP (Centro/Niterói) investigam a morte da modelo gonçalense Raquel Pontes dos Santos, 28, após procedimento estético realizado na clínica do cirurgião plástico Wagner Moraes - marido da empresária Ângela Bismarchi -, em São Francisco, Zona Sul de Niterói, na noite de segunda-feira.
Cerca de 150 pessoas que acompanhavam o velório de Raquel, no Cemitério Parque da Paz, no Pacheco, em São Gonçalo, foram surpreendidas com a chegada da polícia, na tarde de ontem. A cerimônia teve que ser interrompida pelos agentes e corpo da modelo foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) do Barreto, em Niterói, onde será submetido a uma autópsia. Os policiais querem descobrir o que provocou a morte da jovem.
Segundo familiares, a jovem, que era finalista do concurso Musa do Brasil, reclamou de falta de ar e aceleração cardíaca logo após fazer uma intervenção de preenchimento facial conhecida como “bigode chinês” (linhas de expressão do nariz ao canto da boca).
Marido da modelo, o empresário Gilberto de Azevedo, 33, disse que foi à clínica buscá-la, por volta das 18h40 de segunda-feira, quando Raquel começou a se sentir mal. Preocupado, ele decidiu levá-la ao Hospital Icaraí, no Centro, onde ela já chegou com o quadro de parada cardiorrespiratória.
“As enfermeiras disseram o tempo todo que o estado de saúde dela era normal, mas o coração estava muito acelerado. Quando o médico retornou à clínica, me orientou encaminhá-la para o hospital. Acredito que se na clínica tivesse equipamento adequado para os primeiros socorros, isso não teria chegado a esse ponto”, criticou.
Ainda segundo Gilberto, o excesso de preocupação com a beleza e as intervenções estéticas o deixavam preocupado.
“A Raquel sempre se achou bonita e eu sempre repetia isso, mas ela sempre queria algo mais. Já tinha colocado silicone em 2014, feito correção de nariz em 2015 e, na última semana, fez um enxerto no bumbum. Acredito que negligência médica, além do fato dela fumar muito (eram mais de duas carteiras por dia), tenham sido a causa da morte dela”, comentou.
A avó materna de Raquel, a aposentada Maria de Castro Carvalho Pontes, 74, também pedia que a neta parasse com as intervenções cirúrgicas. “É uma perda muito grande para a família. Ela cresceu no nosso quintal. Ver ela ir embora tão jovem é muito triste. A gente pede para que outras meninas da mesma idade tenham mais responsabilidade”, declarou emocionada.
O médico Wagner Moraes negou a relação do procedimento, que custou R$ 6,5 mil, com a morte da modelo. Segundo o cirurgião plástico, Raquel fumava e consumia medicação de uso veterinário, combinação que pode ter sido fatal. “Não foi nenhum comprometimento na área médica. O produto que usei não induziu a nada”, disse.
Em nota, o Hospital Icaraí esclareceu que todas as medidas foram tomadas para tentar salvar a paciente e lamentou a morte da modelo. “Foram realizadas manobras de ressuscitação cardíaca, que sem êxito, o óbito foi constatado às 21h40”.
A modelo, que representava o Mato Grosso no Musa do Brasil, deixa dois filhos, um de 13 e outro de sete anos.
