Polícia investiga morte de ajudante de cozinha durante operação da PM

Wagner morreu no hospital
Foto: Julio DinizBaleado no final da tarde de quarta-feira, após confronto entre traficantes do Morro da Dita, no Jóquei, em São Gonçalo, e policiais do 7ºBPM (São Gonçalo), o ajudante de cozinha Wagner dos Santos Silva, de 19 anos, morreu na manhã de ontem.
Policiais do Grupamento de Ações Táticas contaram que seguiram para a comunidade com o objetivo de verificar um confronto entre facções criminosas rivais. No entanto, ao chegarem ao local, teriam sido recebidos a tiros pelos traficantes, na Rua Lourivaldino de Lima.
Wagner foi baleado entre as nádegas e a coluna. Ele chegou a ser encaminhado para o Hospital Estadual Alberto Torres, no Colubandê, mas não resistiu aos ferimentos.
Os policiais disseram ter encontrado um revólver calibre 38 próximo ao ajudante de cozinha. Porém, familiares do jovem afirmam que ele estava voltando do restaurante em que trabalhava há três anos, em Alcântara. Os patrões de Wagner, inclusive, confirmaram que ele trabalhou normalmente naquele dia.
Inconformada, a família clama por Justiça. “Não quero processar o estado, não quero processar ninguém, o que quero é defender a dignidade do meu filho. Um menino bom. Bom de escola, bom de tudo, que levantava cedo todos os dias para trabalhar desde os 16 anos. Ele não merecia esse fim, muito menos sendo apontado como um bandido”, disse o pai da vítima.
O comandante do 7ºBPM, coronel Fernando Salema, disse que não lembra especificamente desse caso.
“Preciso me inteirar melhor sobre isso”, comentou. Wagner deixa a namorada grávida de sete meses.
Marceneiro foi morto há um mês
Este é o segundo caso, em menos de um mês, que um trabalhador é morto durante confronto entre policiais militares e traficantes. No dia 16 de abril, o marceneiro Luiz Carlos de Mendonça Júnior, de 35 anos, morreu em uma troca de tiros na Favela da Linha, no Rio do Ouro. Na ocasião, familiares de Luiz Carlos contaram que ele havia saído de casa para ir a um supermercado quando começou a troca de tiros. A vítima, que não tinha como antecedentes criminais, trabalhava e tinha carteira assinada há três anos na mesma empresa.