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Eletricista é baleado por PM enquanto comemorava aniversário da mãe em São Gonçalo

O caso ocorreu no último sábado (19)

relogio min de leitura | Ana Carolina Moraes e Claudionei Abreu 22 de março de 2022 - 13:55
A história causa muita indignação na família da vítima
A história causa muita indignação na família da vítima -

A família do eletricista Jefferson Soares de Faria, de 34 anos, viveu um final de semana turbulento. O que era para ser uma festa em família, em um estabelecimento localizado na Avenida Jornalista Roberto Marinho, no bairro do Colubandê, em São Gonçalo, se tornou um pesadelo.

A comerciante Márcia Moreira estava animada para comemorar seus 58 anos com os filhos, genro, nora, marido, netos e amigos e resolveu sair com eles. O que ela não esperava era que aquela noite terminaria sendo uma das piores de sua vida, pois ela viu seu filho ser baleado em três partes do corpo: na perna, no abdômen e no glúteo.

O eletricista Jefferson Soares de Faria, segundo a família, é um rapaz do bem, que vive pelos parentes e que hoje não pode estar com seus filhos por estar internado em um hospital após ter sido baleado. O principal suspeito do crime contra a vida de Jefferson é um policial militar, lotado no 7° BPM, que estava de folga.

Jefferson foi baleado na frente de seus três filhos, um menino de 2 anos, outro de 4 anos e uma menina de 8 anos, que hoje têm pesadelos por conta da situação.

O caso ocorreu no último sábado (19) à noite. A família foi até um conhecido estabelecimento no bairro Colubandê comemorar o aniversário de Márcia, quando iniciou-se uma briga no local que não envolvia nenhum dos parentes da comerciante.

"A briga acontecia em outra mesa, mas perto da gente. Sempre que tinha aniversário nós íamos lá e comemorávamos, até pelo espaço que o restaurante tem para as crianças. Dessa vez fomos, mas, quando vimos a briga, resolvemos sair de perto. Deixamos o local, mas um rapaz que estava com a gente tinha um prato de churrasco nas mãos, pois ainda estávamos comendo. O segurança, então, falou, na porta do local, que não poderíamos sair com aquele prato, que era do estabelecimento. Um outro rapaz que estava na briga inicial começou a implicar com um amigo nosso. O nosso colega viu esse cara, que não conhecíamos, fechar a mão e achou que ia levar soco dele e, para se proteger, deu um soco na cara do desconhecido antes. Foi aí que começou a briga do pessoal que estava com a gente, que foi defender meu amigo, incluindo o meu marido, o Jefferson, que tentou apaziguar tudo. O policial que estava no local, de folga, participou da confusão e foi até o seu carro, pegou a arma e atirou para cima, em seguida, ele deu três tiros no Jefferson, que caiu. Tudo aconteceu muito rápido, na frente das crianças", contou Joyce Oliveira, de 35 anos, esposa de Jefferson.

A companheira de Jefferson, Joyce, quer justiça
A companheira de Jefferson, Joyce, quer justiça |  Foto: Filipe Aguiar
 

Ao O SÃO GONÇALO, em entrevista exclusiva, ela contou mais detalhes sobre o marido. "Depois do caso, uma viatura passou no local e levou o meu marido para o Hospital Estadual Alberto Torres (HEAT), onde ele foi atendido, passou por cirurgia e está no Centro de Terapia Intensiva (CTI), em um quadro estável. O Jefferson é trabalhador, tem uma empresa, é eletricista e estava para assinar um contrato. Ele é um pai e marido carinhoso. Nossa filha, de 8 anos, viu todo o caso e lembra toda hora, ela gritava vendo o pai ensanguentado, ela está tendo pesadelos e sente falta dele", contou a comerciante.


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Quem conseguiu ajuda para levar Jefferson até o HEAT foi o pai dele, o militar aposentado Enelito de Faria, de 58 anos. "Eu falei para o policial acusado não atirar no meu filho, pois eu sou sargento aposentado da Marinha, mas ele atirou. Quando meu filho estava caído, eu vi uma viatura policial e chamei ajuda. Conseguimos ir no banco de trás da viatura, eu tentando manter o Jefferson acordado e conseguimos chegar ao hospital. Depois, os próprios policiais fizeram o registro de ocorrência do caso na 74° DP (Alcântara). O que me deixa triste é que é uma pessoa que deveria prezar pela segurança da população, um policial de folga, atirou no meu filho. Ele estava armado e não fizeram nada, o segurança do local só tirou a arma do PM depois que ele já tinha dado três tiros no meu filho. Depois, na delegacia, ele alegou que agiu em legítima defesa, mas ninguém mais estava armado, só ele, então não pode ter sido legítima defesa. Ele fez isso com pessoas que estavam se divertindo, não corria risco nenhum de vida ali e, depois de atirar no Jefferson, ainda fugiu de carro. O que queremos é justiça, esse policial tem que ser preso", contou o pai da vítima.

O pai e a mãe de Jefferson só querem esquecer desse dia
O pai e a mãe de Jefferson só querem esquecer desse dia |  Foto: Filipe Aguiar
 

A mãe de Jefferson, dona Márcia, não quer nem saber do dia de seu aniversário. Para ela, a data em questão deve ser esquecida. "Nunca mais eu quero lembrar dessa data na minha vida, do dia 19 de março. Esse policial atirou no meu filho, um pai de família, com meus netos do lado, como se as crianças não estivessem ali. Isso vai causar um trauma nelas. Ele tem que pagar pelo que fez com o meu filho, pois amanhã ele pode fazer com outra pessoa", afirmou.

A direção do Hospital Estadual Alberto Torres (HEAT) confirmou que Jefferson foi atendido no local e já teve alta médica do CTI. Agora, a família irá prestar depoimentos e seguir na busca por justiça.

Procurada para falar sobre o caso, a Polícia Civil ainda não confirmou a autoria do crime. "O caso foi registrado na 74ª DP (Alcântara) e as investigações estão em andamento para esclarecer as circunstâncias e autoria da tentativa de homicídio", disse a nota da corporação.

O agente acusado pela família da vítima foi procurado para dar sua versão por meio da assessoria de imprensa da PM, que confirmou a ocorrência de uma pessoa ferida por disparo de arma de fogo no bairro Mutondo e informou que "o caso está em investigação pela 74ªDP", sem dar mais detalhes sobre o posicionamento do policial que estava de folga.

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