Testemunhas acusam policiais do Bope pelo assassinato de jardineiro
Gilcemir da Silva, de 47 anos, foi morto durante ação da PM no Morro do Dezoito, no último sábado (12)

A Delegacia de Homicídios da Capital (DHF) abriu um inquérito para apurar a morte do jardineiro Gilcemir da Silva, de 47 anos, no Morro do Dezoito, em Água Santa, na Zona Norte do Rio, no último sábado (12). Segundo parentes de Gilcemir, ele teria sido assassinado por agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM que dispararam contra moradores que bebiam em um bar próximo à entrada da comunidade.
A Polícia Militar alega que patrulhava a região quando foi atacada por criminosos. Contudo, testemunhas afirmam que não havia confronto no local. Gilcemir foi baleado no pescoço num bar próximo à casa de sua irmã, na Rua Silva e Braga. Ele ainda teria corrido até sua casa e pedido socorro à esposa, antes de morrer em seu colo.
Sobrinha de Gilcemir, a vendedora Camila Souza, de 33 anos, descreve as cenas de pavor presenciadas pelos moradores do Morro Dezoito naquele sábado.
“Por volta de 1h30, vários moradores estavam na rua porque estava muito calor. Estávamos no comércio da minha tia. Dias antes, havia tido operação, e as pessoas estavam lá, muitas crianças brincando porque estava tudo tranquilo. Ninguém tem a dimensão da quantidade de PMs que havia. Não tinha necessidade daquilo. Meu tio estava na entrada da comunidade quando o caveirão passou mandando tiro. Acho que eles viram a aglomeração e mandaram tiro achando que era ponto de drogas. Meu tio estava subindo e tomou um tiro no pescoço. Após ser atingido, ele ainda correu até a casa dele, entrou e conseguiu pedir ajuda para a esposa. Ela ainda pensou que ele estava brincando, porque gostava de debochar de tudo. Quando ela acendeu a luz, viu meu tio todo ensanguentado e já morrendo. Ele deu um suspiro no colo dela e morreu. Em seguida, os PMs entraram, pegaram o meu tio e o levaram para o (Hospital Municipal) Salgado Filho.”, relatou Camila.
Em entrevista à TV GLOBO, a PM alegou que uma equipe do Bope patrulhava o local quando foi atacada por criminosos e, cessada a troca de tiros, apreendeu uma pistola, três celulares, um radiocomunicador e farta quantidade de drogas no local. Em seguida, um ferido teria sido encontrado e encaminhado ao Hospital.
Gilcemir deixa uma esposa, um filho e um neto de dois anos. Ele será enterrado no Cemitério de Inhaúma, na Zona Norte do Rio, na tarde desta segunda-feira (14).