Ameaçada por ex-namorado, mulher busca ajuda do ex-marido e é morta por ele
Caso aconteceu em Tanguá. Os dois homens estão presos

"Eu sabia que meu pai ia matar minha mãe"; Com apenas sete anos de idade, X (nome da criança não será revelado) já via o que muitos adultos se negam a ver ou minimizam: a violência contra a mulher. Com somente 31 anos, Maria*, como vamos chamá-la, foi executada a tiros pelo ex-companheiro, no mesmo dia que o então ex-namorado foi preso pela lei Maria da Penha, após ter ameaçado e tentado contra a vida dela. Maria deixou três filhos. O menor, que falou a frase acima, era o único fruto entre ela e seu assassino, Robson Marciano Meira.
Maria, como muitas moradoras de Tanguá, Região Metropolitana do Rio de Janeiro, vivia sob o poder do machismo, do patriarcado e da insegurança. Funcionária da Prefeitura da Cidade, a jovem era independente, bonita e cheia de sonhos.
Após finalizar uma relação conjugal com Robson, a vítima iniciou uma nova relação com o pedreiro Uilian Azevedo Silva. Nesse relacionamento as brigas foram ficando cada vez mais fervorosas, até que no último mês de outubro ela foi vítima de tentativa de feminicídio.
Maria denunciou seu agressor. Policiais da 70°DP (Tanguá) iniciaram as investigações e pediram a prisão do autor. No entanto, Maria, como muitas vítimas de violência doméstica, manteve contato com o homem, mesmo com o fim da relação.
Todavia, após o fim do namoro, a jovem se reaproximou do ex-marido, na tentativa de encontrar apoio emocional. A intenção dela não foi "lida" com clareza pelo Robson, que passou a não ter limites para controlá-la, chegando ao ponto que o filho do casal percebeu a gravidade da situação.
Quatro de fevereiro - O início do fim
No dia quatro de fevereiro de 2022, policiais civis da 72°DP (Mutuá) cumpriram o mandado de prisão expedido contra Uilian. Ele foi preso em casa, de manhã, enquanto se arrumava para ir trabalhar em uma obra. A prisão ocorreu em Tanguá, mas o acusado foi levado para São Gonçalo, sede da 72°DP.

A prisão, quase quatro meses depois do crime, não era esperada por ninguém. O fato ficou em "segredo", até que o acusado fez uma ligação para Maria, contando do ocorrido. Ele pediu que ela avisasse a família dele, pegasse documentos e roupas.
Maria, por sua vez, foi em seu carro até a casa dos pais de Uilian. Ela parou com o veículo na rua de chão, em frente a casa da família dele, e de dentro do carro contou o que tinha acontecido.
"Ela aguardava dentro do carro o familiar pegar os documentos. Quando um carro se aproximou, efetuou os tiros e fugiu. Quando o familiar voltou, ela já estava ferida", contou o delegado titular da 70°DP (Tanguá), Mário Luiz da Silva.
Ela aguardava dentro do carro o familiar pegar os documentos. Quando um carro se aproximou, efetuou os tiros e fugiu Delegado titular da 70°DP (Tanguá), Mário Luiz da Silva

Maria foi socorrida para o hospital da cidade, mas não resistiu aos ferimentos.
Quando a família dela soube do crime, avisaram ao Robson, ex marido da vítima. Ao telefone, segundo relatos, ele induziu que quem a matou foi o Uilian, mas se assustou ao saber que o homem havia sido preso horas antes.
Com base nas informações as investigações foram avançando. Com apoio de câmeras de seguranças da região a polícia não tinha mais dúvidas: Robson matou Maria.
No dia 11 de fevereiro policiais da 70°DP (Tanguá) prendem Robson. Na delegacia ele confirmou o crime, mas, na frente do advogado, afirmou ter atirado sem ver quem era.
"Ele alegou que atirou pensando ser o Uilian. Mesmo o carro sendo da vítima. Ele disse que alugou a arma e foi até lá pois ficou sabendo que o Uilian queria mata-lo", contou o delegado.
Em nome do amor?
Ao final do triângulo nem um pouco amoroso só restou dor e saudade.
Uilian segue preso pela tentativa de feminicídio contra Maria.
Robson foi preso pelo crime de feminicídio e poderá ser indiciado no crime de stalking, pois a polícia investiga se ele estava perseguindo a vítima.
Maria foi executada a tiros, teve a vida e os sonhos interrompidos. E seus três filhos agora vivem sem a mãe por perto.
Para ajudar mulheres como Maria, a delegacia de Tanguá está oferecendo atendimento especializado, acolhedor e humanizado para vítimas de violências domésticas e violências contra a mulher. Conheça todos os detalhes amanhã em o OSG.
*Nome fictício.