Cronologia de uma ‘guerra’ que já matou 19 em S. Gonçalo

Segundo investigações da Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo, o Morro do Abacatão está sendo palco de uma disputa entre grupos de milicianos e traficantes do Morro do Feijão
Foto: Kiko CharretPor Renata Sena
Após a morte do ex-policial militar Neivaldo Monteiro, de 51 anos - executado a tiros no Morro do Abacatão, no Boa Vista, no último domingo -, agentes da Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo (DHNISG) montaram uma ‘força-tarefa’ para investigar outras 18 mortes que podem estar relacionadas à guerra entre traficantes e milicianos naquela comunidade..
No inquérito, que vai reunir os crimes cometidos desde julho na região, a polícia investiga se os assassinatos estão ligados um possível acordo político entre milicianos e traficantes do Morro do Feijão, no Paraíso. Conforme divulgado com exclusividade pelo OSG há dois meses, com intenção de promover um possível candidato a vereador nas eleições de 2016, um grupo de milicianos teriam arrendado o Morro do Abacatão para o tráfico.
“O assassinato do Neivaldo acendeu um alerta para unirmos todos esses casos. Uma ‘força-tarefa’ foi montada para investigá-los. Vamos analisar todos os crimes minuciosamente”, explicou o delegado Fábio Barucke, titular da especializada.
Segundo investigações, Neivaldo, última vítima da guerra, seria integrante de uma das milícias que atuava na região.Ele já estava sendo investigado por envolvimento na morte de dois líderes comunitários do Morro do Abacatão.
Mortes - A série de mortes na disputa entre milicianos e traficantes começaram no dia 17 de julho, quando um corpo carbonizado foi encontrado dentro de um carro, num dos acessos da comunidade. No final desse mesmo mês, Custódio Bento Martins, 43, assessor de um vereador de São Gonçalo, foi executado à tiros dentro de casa, no alto do morro, logo após demonstrar insatisfação com a presença de traficantes na região
Duas semanas depois, Jorge Luiz Braga Antunes, conhecido como Azul, de 46, também acabou morto em circunstâncias semelhantes. Ele estava próximo de casa, também no Abacatão, quando criminosos passaram num carro efetuando disparos. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital.
No dia 10 de agosto, um adolescente, de 16 anos, foi executado e William Magalhães de Macedo, 21, acabou baleado. Em setembro, o taxista Sandoval Jorge Ferreira de Souza Brito, o Baiano, 28, foi morto com diversos tiros na Rua Maria Rita, próximo à Praça dos Ex-Combatentes, no Porto Novo.
No mesmo mês, quatro mototaxistas foram baleados na Rua Capitão João Manoel, no Porto Novo, em São Gonçalo. Segundo investigações, ocupantes de um carro passaram atirando contra os jovens. A ação teria sido em represália à morte de Baiano.
No início de outubro, Patrick da Silva Abreu, o Patrick do Feijão, foi morto a tiros e facadas dentro de cas,a no Boaçu. Ele era investigado pela DH por envolvimento com o tráfico no Morro do Feijão.
Em novembro, o ex-policial civil Davi de Moura se tornou mais uma vítima da guerra. Ele foi assassinado a tiros durante uma festa na Associação de Bares do Vila Lage, em São Gonçalo. Na mesma ação a esposa da vítima, que estava com o neto de nove meses no colo, também acabou atingida pelos disparos, mas foi socorrida. Em novembro de 2008, Davi foi um dos presos sob acusação de integrar um grupo composto por um vereador de São Gonçalo e PMs ligados à exploração do transporte alternativo e de homicídios.
No final de novembro, Nairon Silva de Lima, 29, foi assassinado no quintal de sua casa, na Rua Rio Casca, na Trindade. A vítima estava dentro de casa quando dois ocupantes de um veículo EcoSport, de cor clara e placa não anotada, o chamaram no portão. Os homens atiraram e vários tiros atingiram a vítima, que ainda tentou correr para dentro de casa, mas caiu morto no meio do quintal.Câmeras de monitoramento da casa foram arrancadas pelos criminosos e jogadas em calçadas na frente do local do homicídio.
No dia 8 de dezembro, Paulo Henrique Siqueira, mais conhecido como PH, 21, foi executado a tiros dentro de casa, na Rua Antônio Figueira, no Porto da Pedra. O crime ocorreu no início da tarde, quando a vítima, sua companheira e o sobrinho, de apenas sete meses, foram surpreendidos por dois homens armados, na residência da família. PH estava em liberdade condicional há dois anos, após ter sido preso acusado de tráfico.