Ex-policial é a 19ª vítima em ‘guerra’ entre tráfico e milícia

Neivaldo havia acabado de entrar em seu carro quando dois homens efetuaram os disparos
Foto: Sandro NascimentoO ex-policial militar Neivaldo Monteiro, de 51 anos, foi executado a tiros no Morro do Abacatão, no Boa Vista, em São Gonçalo, na noite de domingo. Segundo a polícia, o crime está relacionado à guerra travada entre traficantes e dois grupos de milicianos pelo controle do território. A disputa já deixou ao menos 19 mortos, nos últimos cinco meses.
O ex-PM estava num bar, na Rua Mossoró, quando resolveu pegar seu carro, uma Saveiro de cor preta, que estava estacionado a poucos metros do estabelecimento. Assim que ele entrou no automóvel, dois homens se aproximaram e efetuaram os disparos. Em seguida, um veículo preto chegou e deu fuga assassinos.
Segundo investigações de agentes da Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo (DHNISG), Neivaldo era suspeito de integrar uma das milícias que atuavam na região. Com a intenção de promover um possível candidato a vereador nas eleições de 2016, um desses grupos teria arrendado a comunidade a traficantes do Morro do Feijão, no Paraíso, em troca de apoio político, conforme OSG divulgou com exclusividade há dois meses.
Responsável pelo caso, o delegado Allan Duarte Lacerda, da DH, trabalha com duas linhas de investigação para tentar esclarecer o crime. “Acredito que o homicídio tenha sido cometido por milicianos rivais ou por traficantes do Feijão, mas ainda iremos apurar melhor todos os dados”, esclareceu.
Investigações da própria DH apontavam Neivaldo como suspeito de envolvimento na morte de dois líderes comunitários do Morro do Abacatão. Custódio Bento Martins, 43, foi executado a tiros dentro de casa, no alto da comunidade, em julho. Assessor de um vereador, ele teria demonstrando insatisfação com a presença de traficantes na região. No mês seguinte, Jorge Luiz Braga Antunes, o Azul, 46, também foi assassinado dentro de casa em circunstâncias semelhantes.
O ex-PM possuía cinco anotações criminais, uma delas por homicídio, além de um mandado de prisão expedido pela 5ª Vara Criminal de Niterói por porte ilegal de arma de fogo.
Enterro - Cerca de 250 pessoas compareceram ao sepultamento do corpo de Neivaldo, no Cemitério de São Gonçalo, na tarde de ontem. Amigos e vizinhos se diziam surpresa em perder uma “pessoa querida”, como o definiram. “Foi um choque, ainda não caiu a ficha”, desabafou uma amigo.