Investigação: Narcomilícia no Jóquei movimenta mais de R$ 100 mil por mês
A prática de extorsão aos moradores vem ganhando força na região desde junho

Criminosos da facção Comando Vermelho (CV) que controla o crime organizado no Jóquei, movimentam mais de R$100 mil por mês, somente com a prática de extorsão, na atividade de narcomilícia que, desde junho, vem ganhando força na região. Além de ameaçar, extorquir e ditar regras aos moradores, esses criminosos também estão envolvidos diretamente na morte de bandidos de facções rivais que entram em disputa pelo controle do território.
A informação é da Polícia Civil, através da investigação da Divisão de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DH), que culminou na operação desencadeada na manhã desta quinta-feira (04).
Na operação seis mandados foram cumpridos. Desses, quatro acusados já estavam no sistema penitenciário, e outros dois homens foram presos através dos mandados. Um terceiro acusado foi preso em flagrante pelo crime de associação criminosa.
"A gente foi ao local com mais mandados para serem cumpridos. Mas sabemos da dificuldade de conseguir realizar uma operação desse tamanho, sem que os alvos percebam a nossa chegada. Mas a investigação vai prosseguir", garantiu o delegado Bruno Cleuder, titular da especializada.
A prática de extorsão, que a princípio era comum para milicianos, tem se instalado cada vez mais nas comunidades de São Gonçalo. No Jóquei, os 'Predinhos' virou uma importante fonte de renda para os criminosos.
"Eles cobram taxa mensal de acordo com o tamanho e a estrutura da família. O valor varia de R$120 a R$250. Esse valor é cobrado via boleto e as famílias que moram no Conjunto Habitacional Minha Casa, Minha Vida, precisam pagar", contou o delegado.
Bruno explicou ainda que esse pagamento acontece de forma oficial. "Eles emitem boletos e o morador paga. Depois uma pessoa seria responsável por sacar o dinheiro e repassar aos criminosos. Estamos trabalhando para identificar toda a organização", explicou.
A operação contou com homens da Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo, além de policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). Também foram usados carros blindados e aeronaves para monitorar a ação dos criminosos.
Uma mulher chegou a ser detida. Ela foi autuada por desacato e liberada.