"Ele está livre", família comemora soltura de José Maurício
Família trava uma batalha para provar a inocência do rapaz

Após passar 23 noites em claro pedindo a Deus para fazer justiça e tirar seu filho da cadeia, a mãe do atendente José Maurício da Silva Almeida, de 30 anos, - preso no último dia 4, após ser acusado, de forma errônea, segundo a família, pelo crime de tentativa de homicídio-, a dona de casa Edimar Pereira da Silva, de 59 anos, mãe do jovem, vai finalmente poder abraçar seu filho na tarde desta quarta-feira (27), quando ele sairá do sistema penitenciário, após a Justiça ter concedido um alvará de soltura para o atendente.
Emocionada, a mãe do jovem fez questão de agradecer a todos que ajudaram e deram visibilidade a família na tentativa de mostrar a inocência de Maurício, já que no dia que aconteceu o crime em que ele era apontado como autor, o atendente estava numa excursão acompanhado de dezenas de moradores da comunidade onde moram, o Buraco do Boi.
"Eu só tenho a agradecer todos vocês. Amanhã (hoje), eu vou buscar meu filho na porta da penitenciária. Ele está livre", comemorou a mãe do jovem, que é casado e tem um filho.
Ao longo dos dias, na luta pela justiça, familiares e amigos do atendente fizeram manifestações, publicações em redes sociais, pediram ajuda, contrataram advogado e juntaram provas. Ele chegou a ter um pedido de habeas-corpus negado pelo Tribunal de Justiça.
Relembrando - Preso desde o último dia 4, após se entregar para cumprir um mandado de prisão em aberto contra ele, o atendente José Maurício da Silva Almeida, de 30 anos, teve o pedido de habeas-corpus acatado pelo Ministério Público, no dia 18, mas , o pedido de liberdade foi negado pela justiça. Apesar disso, familiares e amigos seguem tentando provar que o jovem está pagando por algo que não cometeu.
José Maurício se apresentou à justiça após ser procurado, em seu trabalho, por policiais civis que possuíam contra ele, um mandado de prisão pelo crime de tentativa de homicídio. Ele foi identificado, apontado e reconhecido pela vítima como um dos integrantes do grupo que tentou matá-lo.
Contudo, segundo a família conta, e prova com fotografias, no dia do crime Maurício estava em uma excursão para um campeonato de futebol que aconteceu no Vidigal, no Rio de Janeiro.
"Saímos por volta das 9h e só retornamos depois das 22h. Ficamos sabendo do ocorrido durante o passeio. O Maurício estava com a gente o tempo todo", contou uma moradora da comunidade que organizou a excursão.
Apesar desse álibi, Maurício foi apontado como um dos participantes do crime pela vítima, que prestou depoimento no início da investigação na 78ª DP (Fonseca).
O pai do atendente, o pintor José Amaro de Souza Almeida, de 58 anos, contou que criou os dois filhos na comunidade Buraco do Boi, no Barreto, e nunca precisou se preocupar com as ações dos jovens.
"Os dois nunca se envolveram com nada errado. Nunca me preocupei, nem na adolescência eles me deram esse tipo de trabalho. O Maurício trabalha de carteira assinada, tem a família dele. Temos certeza que ele não tem envolvimento com nada de errado"
Funcionário de uma loja de produtos eletrônicos há quase três anos, Maurício é casado e tem um filho de quatro anos. Pensando na família e sabendo que era inocente ele, na companhia dos pais, se apresentou na justiça.
"Quando ele soube que os policiais foram no trabalho dele, ele não estava lá. Mas foi informado e seguiu para casa. Achamos um advogado ele foi para o fórum e, em seguida, para a delegacia, onde mandaram eu me despedir dele", relembrou emocionada Edimar Pereira da Silva, de 59 anos, mãe do jovem.
Ainda chorando ela conta os últimos minutos com o filho, que ainda não pode ver após a prisão: "Meu mundo caiu. Eu achei que ele fosse se apresentar, explicar que era inocente e sair. Mas meu filho foi preso e eu não entendo ainda o porque. Uma pessoa apontou o dedo dizendo que foi ele e ele tá lá, pagando pelo que nao fez.
A gente entende que a polícia fez o trabalho, mas pedimos que a justiça veja os dados que mostram a inocência do meu filho. Ele não tentou matar, não matou ninguém. A gente so pede que a justiça seja feita", clamou a mãe do atendente, que segue no sistema prisional do Estado do Rio de Janeiro.
Como Maurício terminou de cumprir os 15 dias de quarentena essa semana, ele ainda não pôde receber nenhuma visita.
"Ele tá lá, sem merecer. E ainda não pode receber nada nosso. Não pode nos ver. Mas ele sabe que a gente tá lutando. Eu falei que ia fazer o possível para tirar ele de lá quando a gente se despediu. E eu vou fazer", finalizou a mãe do jovem. . O advogado da família segue tentando buscar os meios legais que comprovem a inocência do jovem.