Voluntários mantêm mutirões de limpeza na Fazenda Colubandê

Os voluntários limparam as partes externa e internas do casarão e da Capela de Sant’Anna
Foto: Sandro NascimentoNa tentativa de manter viva a atenção para o abandono pelo poder público da histórica Fazenda Colubandê, no bairro de mesmo nome, em São Gonçalo, cerca de 30 voluntários realizaram ontem mais uma ação de limpeza das áreas externas e internas do conjunto arquitetônico (sede principal e a Capela de Sant’Anna). De acordo com o grupo, serão mantidos os mutirões de limpeza até uma definição sobre a recuperação do local.
“Estamos tentando uma parceria com o Batalhão de São Gonçalo e a Secretaria Municipal de Cultura para conseguir alguém que fique responsável por vigiar o local”, disse a professora Mansuária de Araújo, um das líderes do movimento.
O grupo pretende organizar também esse mês um protesto contra a decisão de não decorar a fachada do monumento histórico com a tradicional iluminação de Natal. A intenção é cobrir a parte externa do casarão com uma grande faixa preta para simbolizar o luto dos gonçalenses com o descaso do poder público.
Atualmente, a Fazenda Colubandê está sob a responsabilidade da Secretaria Estadual de Planejamento. Em maio deste ano, o juiz da 3ª Vara Federal de São Gonçalo, Fabio Tenenblat, determinou ao Governo do Estado e ao Instituto Artístico Nacional (Iphan) para apresentarem um projeto de recuperação do patrimônio, até o dia 31 deste ano.
Abandono total - Um dos monumentos históricos mais importantes da cidade, o local que já foi badalado ponto turístico e alvo de pesquisas de centenas de estudantes, hoje vive em completo abandono. Datada do século XVIII, a Fazenda Colubandê foi, nos últimos meses, invadida, saqueada e frequentemente tem sido alvo de vândalos.
Para constatar tudo isso, basta uma breve visita. Já na entrada, a guarita onde era feito o controle de acesso, foi abandonada. No interior do casarão, o vazio denuncia que mobília, lustres, portas, janelas e tantas outras peças históricas simplesmente desapareceram. Além de muito lixo, podem ser encontrados preservativos em quase todas as salas.
Na Capela de Sant’Anna, o mesmo caos. Já não resta um banco de madeira sequer, e todas as peças do altar foram furtadas.