Instagram Facebook Twitter Whatsapp
Dólar R$ 5,0748 | Euro R$ 5,8452
Search

Caso João Vitor: disparos partiram de policiais escondidos na mata, afirma testemunha

Outras pessoas também confirmaram a versão

relogio min de leitura | Redação 24 de setembro de 2021 - 15:12
Jovem morreu com tiro de fuzil nas costas
Jovem morreu com tiro de fuzil nas costas -

Um novo depoimento relevado pelo RJTV, da TV Globo, apresentou mais detalhes sobre o assassinato de João Vitor, de 17 anos, baleado nas costas quando voltava de uma pescaria no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. Apontado como a principal testemunha do caso, o amigo do jovem, que estava com ele no momento em que foi ferido, afirmou que os disparos de fuzil que mataram João Vitor partiram de policiais militares que estavam escondidos em uma área de mata.

O jovem ficou ferido e foi internado por alguns dias no Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no Colubandê, mas recebeu alta e está com a família. João Vitor também foi socorrido para o Heat, mas não resistiu aos ferimentos. Na entrevista, o amigo de João deu mais detalhes sobre o dia do crime. O caso aconteceu no dia 20 de agosto.

"A gente estava com uma sacola de refrigerante, a gente tinha uma mochila de pesca, uma bolsinha de pesca, linha e a gente tava devagar na estrada conversando, rindo", afirmou o amigo.

De acordo com o jovem, não havia confronto no momento em que João Vitor e ele foram baleados. Ele também disse que os policiais usavam fardas e ficaram desesperados quando perceberam que o jovem estava gravemente ferido.

"Não tinha nenhuma operação, não tinha tiros, não tinha caveirão, não tinha helicóptero, não havia nada que alarmasse uma situação de risco pra gente. A gente estava com uma sacola de refrigerante, uma bolsinha de pesca, linha e a gente tava devagar na estrada, conversando e rindo", diz o rapaz, que seguiu dando detalhes. 

"E, numa das estradas a gente voltava pra casa, onde havia mato de um lado e do outro, dois policiais que estavam de roupas camufladas e eles gritaram para que a gente pudesse parar. Eu tirei a mão do acelerador, levantei a mão e ao mesmo tempo fui freando, mas antes que a gente pudesse parar, eles.. pessoas atrás atiraram na gente"

O amigo de João diz ter certeza de que foram policiais os autores do ataque. Segundo ele, quando houve a queda da moto, ele olhou para trás e viu botas voltando para o mato.

"[Eu sei que foram policiais] Porque eles não atiraram do mato. Eles foram pro meio da rua e depois entraram para dentro do mato de novo. E dai eu vi um clarão."

Para a testemunha, o principal indicativo de terem sido policiais é que não havia nenhum confronto.

"Eles [policiais] até diziam que: 'ah, foi disparo de outras pessoas, possivelmente de bandidos'. Mas na verdade eles não efetuaram nenhum disparo pra se proteger e, no momento em que eu caí no chão, eu pude ver que eles lamentavam, eles faziam gestos negativos com a cabeça, um deles até pôs a mão na cabeça."

Outras testemunhas confirmam versão

Outras duas testemunhas ouvidas pelo RJTV confirmaram a versão apresentada pelo amigo de João Vitor. A pessoa disse ter visto toda a cena, mas de um outro ângulo. Lá é um ponto de lotada, e a gente fica num ponto final. A gente sempre fica olhando o carro que tá vindo. E eles passaram de moto, passaram, mais uns 300 metros à frente escutei os tiros, e eles, pum, 'caiu.'", disse. "Aí eu olhei, saiu (sic) dois policiais de dentro do mato, foram até eles, olharam e o outro gritando: 'socorro, não sou bandido, não sou bandido!' E eu fiquei olhando, aí eles voltou (sic) pro mato de novo", acrescentou.

Coação no hospital

Já no hospital, as testemunhas relataram que estranharam a abordagem dos policiais. Uma delas disse que os agentes que estavam na unidade disseram para que ela não deixasse o local sem avisá-los.

"Eu só achei estranho o fato de ter várias vezes policiais querendo reformular o depoimento que eu tinha dado. (...) Eu prestei um depoimento aonde eu disse que eu não tinha identificado quem atirou, mas que eu tinha identificado que foi tiro pelas costas", afirmou.

A testemunha também disse que os policiais tentaram, por duas vezes, entregar um depoimento, mas que ela não aceitou e afirmou que era errado. 

"Eu percebi que dava a entender que eu tinha dito que eram os traficantes que tinham efetuados esses disparos, eu fiquei um pouco coagido porque a todo momento iam policiais falar comigo, entende?"

Policias negam versão

As polícias Militar e Civil afirmam que os agentes foram atacados por traficantes. A Civil afirma que tem um vídeo, que está nos autos do inquérito, em que a testemunha ferida confirma a versão. No entanto, disse que não divulgará para proteger a pessoa.

O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí. A polícia ainda não concluiu o inquérito e não revelou se já sabe de onde partiram os disparos que mataram João Vitor e deixaram o amigo ferido. 

Matérias Relacionadas