Polícia prende 19 acusados de integrar ‘Máfia dos Táxis’
Dezenove pessoas foram presas, na manhã de ontem, acusadas de envolvimento na chamada “Máfia dos Táxis” - organização criminosa que funcionava na Subsecretaria de Transportes de Niterói, falsificando permissões para que táxis piratas rodassem no município.
Entre os presos durante a ação estão dois servidores públicos: Roberto Carlos Brito, o Betinho - chefe da fiscalização da própria subsecretária e apontado como líder da quadrilha - e Alexander Soares Shroeder, o Shrek, do Setor de Transporte Individual da mesma pasta. Segundo as investigações, o bando chegava a lucrar R$ 27 milhões por ano. Parte desse valor pode ter sido usado no financiamento de campanhas políticas.
A operação, batizada de “Bandeira Preta”, foi desencadeada por agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público (MP), da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança e da Corregedoria Geral Unificada (CGU). Foram expedidos 24 mandados de prisão e outros 52 de busca e apreensão, cumpridos em Niterói, São Gonçalo e Rio.
De acordo com o MP, a fraude consistia em se apropriar de autonomias suspensas pela morte do permissionário. Depois disso, os criminosos passaram a fazer ‘duplicatas’ de autonomias de táxis cujos proprietários estão vivos. Com a clonagem da autonomia legítima, o bando conseguia até cinco veículos para taxistas piratas. Um falso cartão de identificação do motorista era emitido, e o veículo pintado. Até o taxímetro era feito por ‘relojoeiros’ da organização criminosa. Estima-se que atualmente existam 600 táxis piratas circulando em Niterói.
Ainda segundo as investigações, a morte, em 2010, do então Subsecretário de Transportes de Niterói, Adhemar José Melo Reis, foi consequência de seus esforços em combater as irregularidades nas autonomias.
Os acusados foram denunciados por corrupção passiva, receptação, organização criminosa, falsificação de selo e de documento público, além de adulteração de sinal identificador de veículo automotor.
Após a operação, a Prefeitura anunciou que vai recadastrar os 1.906 táxis permissionários entre dezembro deste ano e janeiro de 2016. O procurador-geral de Niterói, Carlos Raposo, disse que os dois servidores presos irão responder a um processo administrativo e podem ser exonerados.