Após 'bicho' anunciar recompensa, tráfico expõe armamento 'de guerra' nas redes
'Capo' da contravenção teria oferecido R$ 5 milhões em troca da captura de 'Motoboy', do Complexo da Maré, responsável por um assalto milionário ao bicheiro. No J. Catarina, em SG, já houve disputa entre o tráfico e contravenção

A 'chapa esquentou'. A frase muito conhecida e popular no Rio de Janeiro, 'cai como uma luva' para se explicar o conturbado momento nos bastidores da comunidade da Nova Holanda, uma das 15 que existem no Complexo da Maré, na Zona Portuária do Rio. Um dia após surgirem rumores de que um contraventor da cúpula do jogo do bicho no Grande Rio estaria oferecendo a 'gorda' quantia de R$ 5 milhões como recompensa pela 'captura' de um dos líderes do tráfico no local, os criminosos 'deram o troco', publicando armamento pesado nas redes sociais.
A 'queda de braço' entre a contravenção e o tráfico teria começado na semana passada, quando os traficantes da Nova Holanda, a mando do homem apontado em investigações da polícia como 'chefão' da comunidade - Rodrigo da Silva Caetano, o Motoboy - conseguiramfazer um assalto ao contraventor que rendeu a eles a quantia de R$ 2 milhões. O ataque teria acontecido na Avenida Brasil é os criminosos, interessados apenas em roubar veículos, acabaram se deparando com um carro onde estaria sendo transportada essa quantia.
Mesmo consumado o roubo, teria ocorrido uma troca de tiros com seguranças do contraventor e os traficantes perderam um fuzil, segundo o que foi relatado. O 'capo' não estaria presente no assalto. Mas algumas horas após as divulgações do estabelecimento da 'recompensa', os traficantes começaram a divulgar fotos de vários fuzis. As imagens seriam na Nova Holanda. Motoboy é apontado como um dos líderes do Comando Vermelho (CV) na Nova Holanda é sua ficha criminal inclui nada menos do que nove mandados de prisão sob acusação de crimes, que incluem o tráfico de drogas, roubos e homicídios.
Ousadia - Um dos crimes atribuídos pela polícia a Motoboy foi uma execução, feita com requintes de crueldade, em 2019. O 'chefão do tráfico' é acusado de mandar matar um homem na comunidade e enviar para a mãe da vítima a foto do filho morto e com o braço retalhado.
São Gonçalo - Os 'embates' entre quadrilhas de traficantes com contraventores costumam ocorrer eventualmente. Em São Gonçalo, em outubro de 2017, o então líder da venda de drogas no Jardim Catarina, Schumacker Antonácio do Rosário, o Piloto, tentou estabelecer uma 'taxa' para o funcionamento dos pontos de apostas em seus redutos, no Jardim Catarina, mas acabou desistindo, após um de seus subordinados ser executado por 'seguranças' da contravenção ao ir ao local marcado em um encontro para receber a primeira parcela do 'aluguel'.
Em abril de 2019, Schumaker foi morto a tiros pelo rival, Thomas Jayson Vieira Gomes, o 3N, após segundo ter deixado o CV, no Complexo do Salgueiro, para ingressar na facção Terceiro Comando Puro, iniciando uma sangrenta disputa por territórios no município, até perder a vida, seis meses depois, durante uma troca de tiros em uma operação policial no sítio em que se escondia, em Cabuçu, Itaboraí.