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Motoristas viram ‘reféns’ da violência na BR-101

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 17 de novembro de 2015 - 22:01

Existem pelo menos 15 comunidades dominadas por traficantes entre Niterói e São Gonçalo

Foto: Julio Diniz

A privatização melhorou as condições de trafego de milhares de motoristas que circulam pela Rodovia Niterói-Manilha (BR101) diariamente, o crescimento da criminalidade nas favelas situadas às margens da via os tornaram reféns da violência. Em um intervalo de apenas 14 quilômetros ao longo de um trecho da estrada existem mais de 15 comunidades com atuação de traficantes de drogas fortemente armados.

A geografia do perigo começa logo na Avenida do Contorno, no Barreto, em Niterói, onde são registrados constantes roubos e depredações de veículos. A proximidade com a Favela Buraco do Boi transforma a região em uma espécie de extensão da comunidade, dominada por traficantes do Comando Vermelho (CV), que ditam ordens no local e incitam moradores a ocupar a Via para protestar contra as operações policiais dentro da comunidade.

No entanto, o ‘alerta vermelho’ é realmente aceso quando os motoristas alcançam o município de São Gonçalo. Entre os bairros do Barreto e do Apolo, mais de 15 comunidades às margens do corredor expresso podem se tornar perigosos “barris de pólvora’ e deixar os motoristas em situação de perigo por causa de tiroteios.

A grande maioria tem a presença de traficantes do CV, facção criminosa conhecida pelo seu histórico de atuação de extrema violência em todo o Estado, as pequenas comunidades cortadas pela principal via federal que liga o Rio de Janeiro a Itaboraí e a Região dos Lagos, tentam aumentar os lucros traficando as margens da Rodovia, o que corriqueiramente é narrado por motoristas em redes sociais.

Porém, se os problemas de toda extensão já assustam, as cenas principais de terror são protagonizadas por criminosos, também do CV, que atuam no Complexo do Salgueiro, situado entre os km 309 e 307. Palco de constantes confrontos, o Salgueiro é visto, tanto pelos policiais militares quanto para os agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) como o maior problema da rodovia.

De acordo com dados da PRF de maio a hoje, pelo menos, 13 equipes das polícias Rodoviária Federal (PRF) e Militar e da Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap) foram alvos de disparos na altura do Complexo do Salgueiro, onde traficantes montaram uma boca de fumo a poucos metros da rodovia.

Os ataques são orquestrados pelos criminosos, que atiram contra viaturas que passam pela estrada federal. Em todos os ataques, a pista precisou ser fechada e o pânico tomou conta dos motoristas que ficaram no meio do fogo cruzado.

Na tarde da última segunda-feira, a cena se repetiu, mas dessa vez um dos tiros disparados no local atingiu o motorista Ozias Pinheiro da Silva Junior, de 29 anos, que seguia pela rodovia em seu caminhão reboque, e foi, segundo dados da PRF, a primeira vítima desses ataques na região. Ele foi atingido por um tiro de fuzil no pé esquerdo e precisou passar por uma cirurgia no Hospital Estadual Alberto Torres, onde de acordo com a secretaria de saúde, continua internado em estado estável.

Um posto da PRF fica localizada no km 308, exatamente no meio da área critica, ou “Faixa de Gaza” como está sendo chamada a região, e policiais afirmam que não se sentem seguros no local. “Não temos como mudar o modo de operar. O trabalho tem que ser feito, mas quando assumimos um patrulhamento na região, temos que redobrar e cuidado e a atenção. Esses ataques estão cada vez piores”, relatou um agente, que pediu anonimato.

A equipe de OSG pediu a PRF a quantidade de registros de ocorrência registrados no trecho citado da via, mas até p fechamento dessa edição não houve resposta.

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