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Ernesto Araújo confirma que Itamaraty articulou para importação da cloroquina

Presidente teve participação nos pedidos, segundo ex-ministro

relogio min de leitura | Redação 18 de maio de 2021 - 16:31
Ex-Ministro prestou depoimento nesta terça-feira (18)
Ex-Ministro prestou depoimento nesta terça-feira (18) -

Em depoimento à CPI da Pandemia nesta terça-feira (18), o ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, confirmou que o Itamaraty articulou para conseguir a importação da cloroquina a pedido do Ministério da Saúde. A Comissão tenta entender o que fez o governo federal incentivar o uso do medicamento, que não tem eficácia comprovada contra o coronavírus.

“Em função de um pedido do Ministério da Saúde foi que nós procuramos ajudar a viabilizar uma importação de insumos para farmacêuticas brasileiras produzirem hidroxicloroquina", disse Ernesto.

O ex-ministro também disse aos senadores  que a importação "já estava contratada", mas que a Índia "havia bloqueado as exportações". "Já estava contratado, mas a Índia, justamente como havia uma procura mundial, não se sabia se a cloroquina teria uma procura ainda maior, havia bloqueado exportações", afirmou.

Questionado pelo relator da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), Araújo também apontou que o presidente Jair Bolsonaro teve participação no pedido de importação dos insumos de cloroquina à Índia. 

"O Presidente da República, em determinado momento, pediu que o Itamaraty viabilizasse um telefonema dele com o primeiro-ministro [da Índia]", respondeu Ernesto. Ele também comentou que em março de 2020 "houve uma grande corrida aos insumos da hidroxicloroquina".

“Naquele momento, em março, havia uma expectativa de que houvesse eficácia no uso da cloroquina para o tratamento da Covid, não só no Brasil. Havia notícias sobre isso de vários lugares do mundo. Houve uma grande corrida aos insumos da hidroxicloroquina e baixou precipitadamente o estoque de cloroquina. Fomos informados por isso pelo Ministério da Saúde no Brasil”, comentou Ernesto.

O ex-ministro prestou depoimento à comissão na condição de testemunha, situação na qual ele se compromete a falar a verdade, sob risco de incorrer em crime de falso testemunho, que pode levar à prisão.

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