Estudo aponta que 78% dos mortos por policiais brasileiros são negros
Cerca de quatro a cinco pessoas mortas pelos agentes em 2020 são pessoas pretas ou pardas

Não é nenhuma novidade que o Brasil é um dos países com maior índice de criminalidade em todo o mundo, ocupando a 7° posição no ranking mundial. Apesar de sua colocação ser algo relativamente ruim, não é apenas essa característica que torna o país um dos mais perigosos para se viver. De acordo com dados do Monitor da Violência, foi apontado que em 2020 no Brasil, 78% dos mortos pela polícia militar e civil eram negros.
Os números absurdos representam que cerca de quatro a cada cinco pessoas mortas pelos agentes no ano passado, se referem a pessoas pretas ou pardas. Segundo pesquisador do Fórum, Dennis Pacheco, a porcentagem é nada mais que um reflexo do racismo enraizado. “A gente tem uma representação social da população negra no Brasil que foi construída por meio da escravidão. A perspectiva de que o negro é perigoso, de que ele é pobre, de que tem uma tendência maior a estar envolvido em atividades criminosas acaba tendo impacto na forma como essas pessoas são abordadas”, ressalta Pacheco.
Ao observar o levantamento, pode-se notar que outro problema entra em cena, como a atividade das forças de segurança e a falta de transparência de dados. Conforme informações, onze estados brasileiros não divulgam em seus dados a raça das pessoas mortas pelas corporações.
Em uma entrevista com a escritora do livro ‘Pequeno Manual Antirracista’, Djamila Ribeiro, feita pela ‘BBC’ em 2020, sobre o tema do racismo, a autora fala sobre a importância de todos refletirem e frearem a naturalização do preconceito no país. “A cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil. A gente vive num país que foi fundado sob esse mito de democracia racial, de que aqui não existiria racismo e quanto isso dificultou a construção de uma identidade negra”, ressaltou.