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'Seus sonhos foram interrompidos por uma imprudência', desabafa pai de jovem morta em Santa Luzia

Emanuelly Almeida completou 19 anos no dia 8, Dia Internacional da Mulher

relogio min de leitura | Renata Sena 15 de março de 2021 - 12:04
Imagem ilustrativa da imagem 'Seus sonhos foram interrompidos por uma imprudência', desabafa pai de jovem morta em Santa Luzia

"Uma menina tranquila, cheia de sonhos que foram interrompidos por uma imprudência. Por um policial despreparado. Ela completou 19 anos na última segunda-feira,  dia 8, dia Internacional da Mulher. Ia almoçar comigo e terminou morta. Eu não quero falar da corporação. Mas, sim, dos dois policiais que estavam aqui. A gente não pode se assustar e  efetuar tiros a esmo. Se não se sente preparado, se não suporta essa prisão das ruas, não atue como policial. Nada vai trazer a vida da minha filha de volta, mas eu quero dormir sabendo que a justiça foi feita".

As palavras cheia de emoção, dor e desejo de justiça são do técnico de engenharia Ubirajara Silva de Freitas, de 45 anos, pai da jovem Emanuelly Almeida da Silva, de 19 anos, morta com um tiro no rosto, na tarde do último sábado, em Santa Luzia, São Gonçalo.

Conforme testemunhas, Emanuelly estava saindo de uma loja de açaí quando foi atingida por um tiro fatal. A jovem chegou a ser levada para o Hospital Estadual Alberto Torres (Heat),  no Colubandê, mas não resistiu.

"O que todo mundo viu foi que tinha um policial aqui, atrás daquele muro. Ela saiu e ele disparou. Tudo rápido. Não tinha confronto, não tinha bandido. Ela saiu da loja, ele disparou. Ainda ouviram ele dizer que tinha feito besteira para um outro policial. E depois, foram chegando outras viaturas", contou o pai da menina.

Ubirajara ainda acrescentou que "eles não deixaram ninguém chegar perto. Nem a mãe. Tiraram ela daqui dizendo que estavam socorrendo. Mas, todo mundo que estava aqui viu que ela já estava morta. Como vão socorrer uma pessoa sem vida? Eu tenho amigos que trabalham no hospital e sei que ela chegou morta. Pelo tamanho de buraco que o tiro fez, sabemos que não tem como ela ter ficado viva. O que eles fizeram foi alterar a cena, desfazer a cena do crime. Se ela tivesse ficado no local, teria sido feita a perícia. Não adianta eles dizerem que tentaram socorrer, porque é mentira. ", contou.

Embora todos os moradores e comerciantes do local, que viram a cena, afirmem que não havia operação policial, ou sequer um confronto na hora que a jovem foi morta, a Polícia Militar afirma em nota que ela foi ferida durante um patrulhamento da polícia, no momento em que criminosos passaram atirando. O caso foi registrado na 73°DP (Neves), como homicídio decorrente de intervenção policial.

"Se tivesse sido bala perdida, confronto, eu ia ser o primeiro a dizer: minha filha estava no lugar errado e na hora errada, mas não foi. Não foi isso que aconteceu. E eu só quero que a justiça seja feita. Outra questão é se o ministro proibiu operação em comunidade, como eles dizem que foi uma operação? Mesmo sendo mentira, se fosse, também estaria errado", questionou Ubirajara.

Morador do bairro desde que nasceu, Ubirajara, e a ex-esposa, sempre criaram os filhos na região. Emanuelly era a filha caçula, dos três irmãos. Bastante conhecidos pelo local, a morte da jovem deixou os moradores bastante abalados.

"Uma menina boa, caseira. Todos nós sabemos que ela não era menina de rua. Vinha aqui para ajudar e não ficar de farra. Nada vai trazer ela de volta, mas a justiça será feita", falou uma amiga da família, que parou na cena do crime, durante a entrevista, para confortar o pai da jovem. 

A estudante foi enterrada no final da tarde deste domingo (14), no Cemitério Parque da Paz, no Pacheco, também em São Gonçalo. 

"Nada vai trazer a vida da minha filha de volta, mas espero pelo menos compaixão. Que o policial assuma que errou. Porque ele tirou a vida de uma inocente e ainda estão tentando impedir que seja investigado da forma correta", finalizou.

Investigação

O caso de Emanuelly foi registrado na Central de flagrantes da 73°DP (Neves), como homicídio. Embora não tenha tido nenhuma prisão ou apreensão no local, os policiais militares afirmaram em registro que a menina foi atingida durante um confronto.

As armas dos policiais envolvidos foram apreendidas e vão passar por perícia. 

Já a Polícia Militar disse em nota que "na tarde de sábado (13/03), policiais militares do 7ºBPM (São Gonçalo) estavam em patrulhamento pelo bairro Santa Luzia, no município de São Gonçalo, quando se depararam com indivíduos armados em motocicletas. Estes indivíduos efetuaram disparos de arma de fogo contra a equipe policial, que reagiu. Foi solicitado apoio de outras equipes. Após cessarem os disparos, uma pessoa foi encontrada ferida e foi imediatamente socorrida ao Hospital Estadual Alberto Torres. Ocorrência encaminhada para a Divisão de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNISG).

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