Daniel Silveira deixa prisão no dia em que Marielle foi morta há três anos
PM foi eleito deputado após quebrar placa com nome da vereadora assassinada

O deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) deixou o Batalhão Especial Prisional (BEP) de Niterói, por volta das 16h30 deste domingo (14), após 26 dias de prisão. Por coincidência, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a ida do parlamentar para prisão domiciliar no mesmo dia em que a vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) foi assassinada junto com o seu motorista Anderson Gomes há três anos, em 2018. Em outubro daquele ano, Daniel Silveira se tornou um símbolo da direita e acabou eleito, ao divulgar um vídeo onde mostrava como 'troféu' uma placa com o nome de Marielle, que ele havia arrancado e quebrado.
A rua onde se localiza o BEP foi interditada pela Polícia Militar para que o carro que buscou o parlamentar saísse sem enfrentar o trânsito. Cerca de 40 admiradores do deputado foram à unidade prisional em apoio ao parlamentar e chegaram a cercar o veículo.
Na saída da prisão, Silveira, ainda dentro do carro, ganhou um buquê de flores de uma fã. O deputado não falou com a imprensa - a decisão judicial expedida por Alexandre de Moraes o impede de dar entrevistas sem autorização judicial.
O deputado foi para casa, em Petrópolis, onde cumprirá prisão domiciliar.
A decisão judicial que o libertou foi emitida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (DTF) Alexandre de Moraes, que também foi o autor da ordem de prisão que colocou Daniel Silveira na prisão.
A defesa de Silveira não gostou da decisão deste domingo e disse que o decreto de prisão domiciliar é "desprovido de fundamentação idônea".
"Os argumentos usados pelo ministro (Alexandre de Moraes) não guardam relação com o objeto da prisão levada a termo ao arrepio do Comando Constitucional", alega a defesa do deputado, que diz ainda que vai recorrer da ordem de prisão domiciliar.