Os limites da preocupação estética em jovens
Para especialistas em Psicologia, insatisfação com o corpo é normal até um certo ponto

Bianca colocou silicone nos seios sem apoio inicial dos pais
Foto: DivulgaçãoÉ natural que o ser humano esteja insatisfeito com alguma parte do corpo. Mas é na adolescência e juventude que essa preocupação pode ser perigosa, já que é nessa fase que o adolescente se apresenta para o mundo, começa relacionamentos amorosos e passa por uma série de mudanças comportamentais, físicas e emocionais. Tal insatisfação é normal até certo ponto.
Para a psicóloga Fernanda Souza, do Instituto de Saúde Mental e do Comportamento, o fato de um jovem querer realizar um procedimento estético quer dizer algo sobre o seu corpo e sua sexualidade. Mas alguns cuidados devem ser tomados, tanto pelo próprio jovem quanto pelos pais.
“É preciso verificar se esse jovem está ciente da realidade, como o risco que ele corre ao entrar em um hospital ou se quer fazer algo que a mídia impõe que ele faça. Talvez uma jovem queira fazer uma lipoaspiração com a intenção de ficar com a barriga da modelo Gisele Bundchen, o que não vai acontecer, pois o corpo da Gisele, como todos os outros, é único”, esclarece.
A estudante Bruna Paiva, de 22 anos, conta que desde sempre teve vontade de colocar implante de silicone nos seios, mas inicialmente não teve apoio dos pais.
“Minha mãe até me apoiava, mas meu pai nunca gostou da ideia e nem colaborou financeiramente. Eu aguardei até completar 21 anos e fui trabalhar para poder pagar pela cirurgia. Coloquei 375ml em cada seio e hoje estou bastante satisfeita”, revela a estudante.
Para a especialista, é importante analisar se a expectativa do paciente corresponde a realidade possível, e se o corpo já atingiu um estágio de desenvolvimento favorável para passar por uma cirurgia.
“Os médicos dizem que não há uma idade mínima pré-estabelecida para realizar um procedimento estético. Mas é importante que os filhos tenham um consenso junto aos pais e que os mesmos estejam cientes de que os seus filhos não estejam em um processo de adultização, ou seja, querendo ultrapassar a adolescência. Também é interessante que os pais verifiquem se não é algo passageiro, uma admiração por um ídolo, se o jovem sofre bullying nos ambientes que frequenta, ou algo do tipo”, argumenta Fernanda de Souza.
SERVIÇO
Fernanda de Souza
Psicóloga do Instituto de Saúde Mental e do Comportamento, voluntária na ONG “Luxo de Vida”, em Itaúna, São Gonçalo
Telefones: 3245-4182 / 997105-4182