Mitos e verdades sobre miomas e infertilidade

Comuns entre mulheres de 30 a 50 anos, os miomas são alvos de uma série de dúvidas, entre elas a infertilidade. Se você já foi diagnosticada com esse tipo de tumor, não precisa se apavorar. De acordo com especialistas, entre as causas de infertilidade, apenas cerca de 4% estão relacionadas aos miomas. O que determina, segundo os médicos, a influência do nódulo na dificuldade de engravidar é sua localização, ou seja, somente apresentam riscos aqueles que crescem na parte interna do útero e distorcem a cavidade do órgão ou os que obstruem a entrada das trompas.
Para a ginecologista da clínica Dr. Família, Taluana Franchi Rizzo, os casos em que um mioma atrapalha a fertilidade da mulher são pouco frequentes.
“O risco à gestação ou o risco de abortamento depende principalmente da localização do tumor. Se ele estiver na parte de dentro do útero, junto ao endométrio, é chamado de submucoso. É o menos frequente, mas que pode causar sangramentos intensos e prolongados e atrapalhar a implantação do óvulo fecundado. Caso esteja próximo às trompas, pode bloquear o caminho dos espermatozóides”, explicou.
Ainda de acordo com a médica, a causa do mioma ainda é desconhecida. “O que se sabe é que a progesterona e o estrogênio, principalmente, influenciam o seu desenvolvimento. Tanto que com a chegada da menopausa e a queda na produção de hormônios estrogênios, o mioma costuma encolher e até desaparecer. Durante a gravidez, ao contrário, sua tendência é aumentar, devido ao aumento na produção hormonal, podendo inclusive ocorrer necrose do mioma nessa fase”, revelou.
Professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF) e membro da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estado do Rio de Janeiro (SGORJ), Luiz Felipe Bittencourt explica que metade dos miomas não provoca qualquer sintoma na mulher e ela pode passar toda a vida com os nódulos no útero, sem sentir nada, sem ter qualquer prejuízo à saúde.
“A cirurgia para a retirada dos miomas deve ser realizada apenas em situações específicas: quando provoca sangramento que não pode ser solucionado com medicamentos, quando cresce muito e provoca um aumento exagerado do tamanho do útero, quando está relacionado à dor pélvica ou em casos em que provoca prejuízos reprodutivos”, argumenta.
Ainda segundo o ginecologista, metade da população feminina desenvolve miomas durante a vida e qualquer mulher está sujeita ao desenvolvimento da miomatose uterina.
O tratamento dos miomas, no entanto, ainda é basicamente realizado por meio de cirurgia.
“A cirurgia pode ser conservadora, com a retirada dos miomas e a preservação do útero, ou mais radical com a retirada de todo o útero. Em geral, utiliza-se o tratamento conservador quando a mulher ainda tem o interesse de engravidar no futuro. A retirada do útero como um todo se reserva aos casos de mulheres que já tiveram filhos ou que já ultrapassaram determinada idade em que não há mais possibilidade de engravidar”, declarou.
Novidade - Na contramão dos procedimentos cirúrgicos, a ginecologista Taluana afirma que a mais nova arma utilizada contra os miomas é o Ultrassom focalizado e guiado por ressonância magnética.
“Nesse procedimento, a paciente deita-se na mesa de ressonância e, quando o médico aplica o ultrassom, as ondas são direcionadas para uma região específica do tumor, em que a temperatura aumenta até 90ºC, destruindo o tecido. Estudos estão sendo realizados para avaliar para quais casos esse método é eficaz”, informou a médica.