Por que o lúpus atinge mais as mulheres?

Mulheres, entre 20 e 45 anos. Esse é o principal perfil das pessoas acometidas pelo lúpus, uma doença de origem autoimune, que pode ser desencadeada pelo excesso de exposição solar, pelo hormônio estrogênio ou até por uma infecção viral.
Segundo os especialistas, os sintomas podem surgir em diversos órgãos, de forma lenta e progressiva ou mais rapidamente, em semanas, por exemplo. Os órgãos mais afetados pelo lúpus sistêmico são as articulações, pele, rins, nervos, cérebro e membranas que recobrem o pulmão - a pleura - e o coração, o pericárdio.
Estimativas indicam que existam cerca de 65 mil pessoas com lúpus no Brasil, sendo a maioria mulheres. Ou seja, uma a cada 1,7 mil mulheres no país tem a doença. Mas porque elas são as mais afetadas?
O reumatologista Evandro Klumb, membro da Comissão de Lúpus da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), explica que dentre uma série de fatores determinantes para a ocorrência do lúpus, como a exposição a raios ultravioletas e uso de cigarro, está a presença do hormônio estrogênio, que acaba atuando como estimulador das células “doentes” no organismo.
“Por isso é mais comum o diagnóstico de lúpus em mulheres que, somado à predisposição, utilizam anticoncepcional, começam a menstruar muito cedo ou fazem reposição hormonal, no caso de mulheres na menopausa”, esclarece.
As manifestações da doença aparecem em forma de manchas avermelhadas nas maçãs do rosto e dorso do nariz, alta sensibilidade da pele à luz solar ou à claridade; queda de cabelo, anemia, cansaço, dor ao respirar, entre outros sintomas.
Para o médico, é extremamente importante fazer a prevenção antes mesmo dos primeiros sintomas, no caso de pessoas que tenham alguém na família com a doença.
“É ideal fazer a chamada prevenção primária. Se você tem suscetibilidade genética, ou seja, algumas pessoas na família têm ou tiveram a doença, é importante evitar uso de anticoncepcional, cigarro e exposição excessiva ao sol. E claro, procurar um reumatologista o quanto antes”, completa.