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Vacinação: saúde pública oferece maioria das imunizações

relogio min de leitura | Redação 29 de junho de 2015 - 21:12

O Ministério da Saúde oferece, gratuitamente, as vacinas essenciais para imunizar crianças nos primeiros anos de vida

Foto: Alex Ramos

Logo no primeiro dia de vida, toda criança deve ser imunizada contra tuberculose e hepatite B, de acordo com o calendário nacional de vacinação. Dali em diante, serão muitas as visitas ao posto de saúde mais próximo para garantir proteção contra outras doenças. O Ministério da Saúde oferece, gratuitamente, as vacinas essenciais e pretende, ainda neste ano, acrescentar mais tipos disponibilizados na rede privada.

Atualmente, o calendário considera obrigatória a imunização para as seguintes doenças: difteria, tétano, coqueluche, hepatite B, meningite, pneumonia, infecção de ouvido, poliomelite, sarampo, rubéola, caxumba, febre amarela, catapora, rotavírus, varicela, hepatite A e HPV. Todas são destinadas à faixa etária infantil, podendo exigir repetição de doses posteriormente. Também existem as imunizações destinadas a gestantes e idosos, como a Influenza A, contra a gripe.

O pediatra e homeopata Moisés Chencinski, da Associação Médica Brasileira, esclarece que clínicas particulares podem oferecer imunização para as mesmas doenças compreendidas pela rede pública, porém em versões diferentes. “Temos, por exemplo, o caso da Pneumocócica 10v, da rede pública, que oferece proteção a dez diferentes subtipos. Já a rede privada fornece uma vacina para 13 subtipos. A Pneumocócica abrange, além da pneumonia, amidalite, otite e meningite”, explicou.

Outra vacina importante na rede particular é a influenza, que protege contra a gripe. Ela pode ser adquirida por quem não se encaixa nas exigências do Ministério de Saúde, que prioriza crianças até cinco anos, idosos, gestantes e pacientes de doenças crônicas. O pediatra salienta que estas diferenças podem implicar em mudanças na data das doses de outras imunizações e, por isso, devem ser acompanhadas de perto pelo pediatra da criança. “A vacina contra catapora é fornecida pelas clínicas para crianças de um ano e deve ser aplicada junto da triviral (sarampo, caxumba e rubéola)”, informou.

Existem ainda as vacinas fornecidas apenas pela rede privada, como a Meningite B e a Meningite ACWY. “Estima-se que tenhamos cerca de oito mil casos de meningite bacteriana no país. Destes, 70% seriam do tipo C; 20% do tipo B e 10% dos tipos W e Y”. Segundo o especialista, isso significa que as vacinas não gratuitas representam uma proteção a mais variações da doença, mas que a oferecida na rede pública é bastante abrangente.

Pais devem respeitar o calendário vacinal, que é projetado em função do sistema imunológico das crianças e adolescentes (Foto: Alex Ramos)
Pais devem respeitar o calendário vacinal, que é projetado em função do sistema imunológico das crianças e adolescentes (Foto: Alex Ramos)

Calendário deve ser respeitado

Uma pesquisa divulgada pela Pediatrics, jornal oficial da Academia Americana de Pediatria, apontou que, embora os índices de vacinação sejam quase totais, 10% dos responsáveis pedem aos médicos para alterar o calendário de vacinação da criança.

Os argumentos dos pais se baseiam em preocupações sobre complicações que as vacinas poderiam gerar ou uma crença de que os filhos não teriam uma doença evitável por vacina.

Para Moisés, este é um risco o qual os responsáveis não devem se submeter. “O esquema vacinal é projetado para funcionar da melhor maneira em função do conhecimento sobre o sistema imunológico das crianças, protegendo-as das doenças o mais rapidamente possível”, afirmou o pediatra com base no estudo da Pediatrics.

Contágio de HPV pode ocorrer mesmo com uso de preservativo

Dados da Organização Mundial de Saúde apontam que cerca de 70% dos casos de câncer de colo de útero têm origem no HPV. Somente no Brasil, o câncer mais comum entre as mulheres provoca cinco mil mortes por ano. Disponível na rede pública desde 2014, a vacina contra o vírus HPV ainda tem pouca adesão, quadro bem diferente da grande procura verificada na rede particular.

Para o pediatra e homeopata Moisés Chencinski, um dos fatores que desencadeiam a baixa popularidade é a falta de acesso à informação e às consultas médicas pelo público adolescente, enquanto as clínicas particulares recebem, em geral, pacientes encaminhados por outros profissionais, como pediatras e ginecologistas.

“Atualmente, uma em cada cinco gestações acontece abaixo dos 18 anos de idade. As meninas têm iniciado a vida sexual cada vez mais cedo, com vários parceiros, e muitas vezes, sem o uso de camisinha. Cerca de 50% dos casos novos acontecem nos três primeiros anos de atividade sexual. A vacina é mais eficiente quando aplicada em adolescentes que ainda não foram expostas ao vírus, ou seja, não tiveram contato sexual, pois a produção de anticorpos contra o HPV, nestas condições, é maior”, explicou o especialista.

Na rede pública, a imunização está disponível para meninas entre 9 e 13 anos. O esquema vacinal é de três doses, sendo a segunda dose aplicada seis meses após a primeira e a terceira cinco anos após a primeira dose. Em 2014, cinco milhões de meninas de 11 a 13 anos foram vacinadas no Brasil.

Vírus – O papilomavírus humano (HPV) é um vírus que infecta a pele e mucosas e pode causar câncer do colo de útero e verrugas genitais. Os subtipos 16 e 18 estão relacionados ao câncer de colo de útero. Os subtipos 6 e 11 estão relacionados à proteção contra as lesões verrucosas do HPV. O vírus HPV é altamente contagioso e a contaminação pode acontecer apenas com um contato com a pele ou mucosa infectada, mesmo sem penetração ou até mesmo com uso de preservativos.

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