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O segredo das orelhas

Auriculoterapia alivia dores

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 29 de junho de 2015 - 20:44

Cada ponto da orelha corresponde a uma parte do corpo, que deve ser estimulado através de compressões diariamente

Foto: Alex Ramos

Há 16 anos, a rotina da cabeleireira Larrubia Palma Ribeiro é a mesma: cerca de nove horas por dia em pé e fazendo os mesmos movimentos. O resultado foi uma dor nos pés ao final do expediente, uma espécie de queimação na sola, como conta. Aconselhada por alguns especialistas a largar a profissão, Larrubia encontrou na auriculoterapia o alívio para os pés cansados.

“A Larrubia tem fascite plantar, uma inflamação provocada pelo impacto do peso do corpo sobre o pé, devido ao excesso de tempo na mesma posição. A fáscia é um tecido, como uma ‘pelinha’, que envolve o corpo todo e a mais acometida é a plantar. À medida que ela se desgasta, surge a dor no calcanhar ou no arco do pé”, analisa a fisioterapeuta e acupunturista Jeanny Rocha, que acompanha a paciente no Espaço Excelência, em Alcântara.

Uma vez por semana, Jeanny aplica grãos de mostarda na orelha de Larrubia, que deve permanecer com as mesmas por cinco a sete dias. O ‘segredo’, no entanto, não está no grão utilizado e sim na combinação de pontos que, após colocados no pavilhão auricular, devem ser pressionados cinco a sete vezes ao dia. “A aplicação desencadeia o estímulo nas áreas nervosas da orelha que mandam informação ao cérebro, como um reflexo. Cada ponto se relaciona com um órgão ou uma parte do corpo. A escolha pela mostarda tem a ver com o conforto do paciente e por não apresentar riscos de infecção”, explica Jeanny sobre a técnica, derivada da acupuntura.

Após dois meses de tratamento, Larrubia já identifica os efeitos benéficos da auriculoterapia. “Me sinto 80% melhor com apenas oito sessões. A dor reduziu de forma considerável. Fico satisfeita porque, além da aplicação, a Jeanny me ensina alternativas mais saudáveis para o meu cotidiano”, contou a cabeleireira de 38 anos.

Cada ponto da orelha corresponde a uma parte do corpo, que deve ser estimulado através de compressões diariamente (Foto: Alex Ramos)
Cada ponto da orelha corresponde a uma parte do corpo, que deve ser estimulado através de compressões diariamente (Foto: Alex Ramos)

Reeducação de hábitos

Um corpo desorganizado cria lesões. Esta é a máxima que a fisioterapeuta Jeanny Rocha utiliza para alertar os pacientes quanto aos movimentos repetidos no cotidiano.

“Dez, vinte sessões de fisioterapia não surtem efeito caso, no dia-a-dia, o paciente continue a repetir práticas erradas. A maneira como sentamos, dormimos, apoiamos o peso do corpo quando estamos de pé e até mesmo os exercícios físicos que gostamos podem implicar em dores. Meu papel como especialista é enquadrar o paciente em novos hábitos, ensiná-lo a fazer os movimentos corretos, a fim de impedir novas lesões”, ressalta.

No caso de Larrubia, as sessões de auriculoterapia são acompanhadas com orientações sobre o alinhamento dos pés durante o expediente, assim como a contração de bumbum e abdômen, de forma a tentar manter uma postura ereta e, assim, evitar problemas futuros na coluna vertebral.

RPG

Quem nunca reparou que o vestido, em si mesmo ou em outra pessoa, tinha um lado mais curto que o outro? Este é um exemplo de postura errada, mas que tem solução. A Reeducação Postural Global (RPG) procura contornar os vícios de postura. Ela identifica e alonga os músculos responsáveis pela alteração e deve ser personalizada.

“O corpo se adapta ao que está errado por conta da repetição do movimento. Então, temos que fazê-lo aprender o que é correto. Alguns pacientes se queixam de uma dor ou outra durante o tratamento. É sinal de que o corpo está se corrigindo e a dor será eliminada. Além de sanar as dores, a correção implica em uma respiração melhor, já que alivia o diafragma”, explicou Jeanne. No Espaço Excelência, as etapas de avaliação postural são feitas com fotografias, a fim de que o paciente acompanhe a evolução.

Tipo de tratamento depende de avaliação do paciente

Para a especialista Jeanny Rocha, seja na fisioterapia tradicional ou na oriental, não existe uma receita de bolo. A indicação do tipo de tratamento depende da avaliação de cada paciente. “Cada um tem um jeito de sentar, dormir, exercer movimentos específicos ligados à profissão, entre outros fatores. Não existe um protocolo, até porque um problema não está atrelado somente a questões físicas, mas também a estresse, questões emocionais, etc”, salienta.

As opções de tratamento são variadas. A fisioterapia tradicional conta com aparelhos como lasers, ultrassom, além das massagens manuais. Segundo Jeanny, o tratamento é potencializado se aliado à acupuntura. “As duas se complementam. Um tratamento de hérnia, por exemplo, requer exercícios mecânicos, porém, realizado junto à acupuntura, terá uma resposta mais rápida”, citou.

Jeanny explica que as técnicas chinesas atuam no desequilíbrio energético, estimulando o próprio corpo a mudar a forma como o cérebro responde à dor, como uma espécie de analgésico natural. “Uma das vantagens da acupuntura é não usar medicamentos, o que impede efeitos colaterais sobre estômago e fígado, as partes vitais mais atingidas por medicamentos ligados ao combate à dor”, afirmou. Dessa forma, é eficiente para relaxar músculos, melhorar a circulação sanguínea e alcançar órgãos internos.

As agulhas são as mais conhecidas, porém a acupuntura também conta com outros métodos, entre eles a moxaterapia, um bastão de erva seca chamada artemisia; e as ventosas, um conjunto de ‘copinhos’ de acrílico que, através da sucção, atua na circulação.

Serviço

Espaço Excelência
Rua Domingos Alcântara, 58 - Alcântara
Tels: 3686-4201/97362-1520

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