Os riscos de ser um ‘atleta de verão’

O verão chegou, as praias estão lotadas, e é nessa época que as pessoas mais se preocupam em estar em boa forma. A iniciativa de começar a praticar atividades físicas e passar a se alimentar melhor é válida, mas os considerados “atletas de verão” precisam tomar cuidado para que isso não se torne uma dor de cabeça no fim das contas. Segundo o cardiologista Pablo Marino, do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), pessoas que apresentam alguma doença cardíaca ainda não diagnosticada podem ser surpreendidas com eventos indesejáveis, inclusive a morte súbita.
“Além da morte súbita, existem os riscos de arritmias cardíacas, alterações na pressão arterial e infarto agudo do miocárdio”, explica o cardiologista.
Mas por que isso acontece? Por que é tão arriscado se exercitar apenas no verão ou ser um “peladeiro de domingo”, por exemplo? O médico explica que a adaptação ao treinamento e os benefícios obtidos com a prática do exercício físico exigem regularidade e uma frequência semanal mínima de três vezes.
“Os indivíduos que se exercitam apenas esporadicamente, especialmente em atividades com caráter intervalado, e que se submetem a períodos de alta ou muito alta intensidade, como é o caso do futebol, estão realmente expostos a um maior risco de eventos desagradáveis, caso apresentem uma patologia cardiovascular desconhecida até então”, argumenta.
Ainda segundo o cardiologista, frequentes retornos e abandonos da prática de exercícios, seja em academias ou simples corridas, também não é algo nada saudável.
“Se a pessoa interrompe o treinamento, basta algo em torno de um mês para que desapareçam a maior parte dos efeitos favoráveis obtidos com a prática regular do exercício físico. Este fenômeno se chama destreinamento. É como dizem os mais antigos: ‘exercício não é vacina’”, completa o médico.
Dicas - Além de pedir orientação médica antes de começar a praticar qualquer atividade física, existem outras formas de prevenir “surpresas” desagradáveis com a saúde
“Manter hábitos saudáveis, como não fumar, beber com moderação e manter uma dieta equilibrada”, acrescenta Pablo Marino. A idade de maior risco para os homens é acima dos 40 anos, enquanto nas mulheres, o perigo é maior a partir dos 50.