Morre o jornalista Assueres Barbosa
Profissional, que trabalhou durante vários anos em OSG, foi encontrado morto em casa

Assueres tinha um amplo currículo profissional, era respeitado entre os jornalistas e tinha muitos amigos
Foto: DivulgaçãoPor Elena Wesley, Matheus Merlim e Marcela Freitas
São Gonçalo amanheceu ontem com um ‘pedaço’ a menos. Menos uma voz, um fã, um amigo. Morreu, na madrugada de ontem, o jornalista Assueres Barbosa, aos 79 anos, na casa onde morava, no Boassu. Velado desde o início da noite de ontem no Abrigo Cristo Redentor, na Estrela do Norte, o corpo de Assueres será enterrado hoje, às 15h, no Cemitério de São Gonçalo, no Camarão.
Assueres foi encontrado, já morto, na casa onde morava sozinho, por volta de 11h30 de ontem, pelos vizinhos, que costumavam tomar café da manhã com ele e notaram sua ausência. De acordo com seu amigo de longa data, mais de 50 anos de parceria, Josias Ávila, 75, presidente do Abrigo Cristo Redentor, Assueres vinha desde a semana passada reclamando de fortes dores no peito, mas fugia quando o assunto era hospital, pois dizia que não ia passar o resto de sua vida internado.
Nascido em 20 de abril de 1936, no Méier, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro, foi lá que Assueres iniciou sua carreira. O coração, entretanto, se apaixonou, sem esforço, pelo município de São Gonçalo. Foi aqui que Assueres exerceu 45 dos 54 anos de carreira como jornalista.
O currículo profissional era extenso, com registros em mais de 25 empresas de comunicação. Com passagens por grandes expoentes do jornalismo impresso, como os tradicionais Diário de Notícias, em 1963, e Diário Carioca, nos dois anos seguintes, Assueres também atuou em O SÃO GONÇALO de 1971 a 2003. Em outras plataformas, trabalhou na Revista Atualidade, em 1961 e 1963, na TV Rio (antigo canal 13), também em 1961, e na Rádio Federal de Niterói (atual Manchete) em 1966, entre outros.
Uma de suas reportagens mais marcantes, eleita pelo próprio jornalista recentemente, foi a cobertura do incêndio do Grand Circus Norte Americano, em Niterói, em 1961. O profissional também cobriu a inauguração da Ponte Rio-Niterói, em 1974.
Apesar da longa trajetória de conquistas, o grande desafio recente de Assueres foi lutar pela própria vida. Em 2010, seu quadro de saúde chegou a ser descreditado pelos médicos. O jornalista foi submetido a cateterismo - quatro vezes, por sinal -, duas angioplastias e colocou sete “stents”.
De volta à ativa, Assueres se tornou cerimonialista oficial dos principais eventos da cidade e vivia cercado de amigos e admiradores. Embora o novo rumo que sua vida tinha tomado o deixasse realizado, nunca deixou de lado sua profissão de imprensa e criou seu próprio blog. Recentemente, em março, Assueres publicou o balanço de visitações em seus textos: foram exatas 101.508 visualizações, no Brasil e no exterior.
Assueres foi casado por três vezes e teve cinco filhos, sete netos e dois bisnetos. Atualmente, estava divorciado e morava sozinho.

Legado de uma amizade verdadeira
“Amigos até que a morte nos separe”. Embora pareça clichê, este pode ser o resumo da longa jornada vivida junta pelo jornalista Assueres Barbosa e o presidente do Abrigo Cristo Redentor, Josias Ávila. Há mais de 50 anos, eles dividiam alegrias e tristezas, desde doenças à grandes comemorações.
“Ele foi mais que um amigo, foi quase um irmão. É muito triste. Vou sentir muita falta dele. Fomos amigos por mais de 50 anos, mas há 10 passamos a conviver quase que diariamente, participando da vida social do Abrigo e de outros eventos. Estávamos sempre juntos”, declarou Josias.
Foi no Abrigo Cristo Redentor, inclusive, que Assueres buscou apoio após seu grave estado de saúde. Mesmo desacreditado pelos médicos, após o diagnóstico de graves problemas cardíacos no amigo, Josias lutou até o fim para reverter a situação.
“Acompanhei de perto todo o quadro evolutivo da doença do Assueres. Em 2013, ele ficou 60 dias internado no Hospital Estadual Alberto Torres. Ia visitá-lo, todos os dias, porque vejo que tem que ser assim. Quem está ao redor, precisa entender que aquela pessoa que está na maca é querida. Quando os médicos o desenganaram, não acreditei. Orei muito, bem como muitos amigos. Pedi então para trazê-lo para o Abrigo Cristo Redentor, onde ele receberia além de tratamento médico, um carinho diário”, revelou.
Ainda segundo Josias, Assueres chegou a ficar até mesmo sem andar ou falar, além de não conseguir se alimentar sozinho por um tempo, tendo que tomar alimentação especial e acompanhado por uma enfermeira.

Velório reúne amigos e admiradores
O sentimento misto de tristeza e saudade foi inevitável, mas a despedida ao jornalista Assueres Barbosa, que começou ontem à noite, no Salão Walter Carvalhido, no Abrigo Cristo Redentor, e vai até a tarde de hoje, teve um toque a mais: a música.
Amigos, colegas de profissão e familiares prestaram suas últimas homenagens ao som de grandes sucessos, nacionais e internacionais, que embalaram a vida de Assueres, amante de uma boa canção e de danças.
O comandante do 7ºBPM (São Gonçalo), coronel Fernando Salema, foi um dos representantes do município que compareceu à cerimônia, ontem. Ele não mediu esforços ao elogiar o amigo. “Assueres foi sempre muito simpático, será bem lembrado”, disse.
O presidente da União de Jornalistas de SG (Unijor), Frederico Carvalho, também enalteceu a personalidade de Assueres. “Um homem franco e muito alegre”, contou.
Depoimentos
“Era um admirador das mulheres, com uma pureza incrível. Nele não havia maldade. Um carinho admirável pelas crianças que o tratavam como um coleguinha recém-conhecido (...) Nos últimos dias conversamos muito sobre a vida e a morte e espero que Deus o possa receber de braços abertos. Adeus, meu amigo!”.
- Josias Ávila Junior - Presidente do Abrigo do Cristo Redentor
“O patrimônio Assueres, como carinhosamente o chamava, foi muito mais que Jubileu de Ouro, em seus mais de 50 anos de jornalismo e locução no estado, e mais de 40 anos em São Gonçalo. Antes, foi e sempre será um marco de amor e dedicação, que abrilhantou a vida de quem teve a grata oportunidade de conhecê-lo e que deixou em todos nós o desejo de dizer: obrigado amigo, Deus o abrace”.
- Neilton Mulim - Prefeito de São Gonçalo
“Assueres Barbosa era um homem íntegro, correto e excelente profissional. Vai deixar muitas saudades entre nós, gonçalenses”.
- José Luiz Nanci - Secretário Estadual de Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida
“Ele era a voz de São Gonçalo em todos os eventos. Ele era muito querido por todos, uma verdadeira unanimidade”.
- Coronel Fernando Salema - Comandante do 7ºBPM
“Assueres era uma pessoa extremamente meticulosa. Sempre tinha detalhes sobre todos os assuntos que fosse abordar em suas falas. Um homem franco, alegre, sempre disposto a ajudar. Com um timbre vocal maravilhoso, era um excelente comunicador. Conquistava a todos com seu jeito”.
- Frederico Carvalho - Presidente da União dos Jornalistas e Comunicadores de São Gonçalo (Unijor)
“Mesmo sabendo que a passagem de todos nós é finita na Terra, queria que essa fosse uma grande “barriga” (notícia falsa) mas infelizmente não é. Mesmo sabendo que vamos nos despedir de muitos que mais amamos, nunca estamos preparados. Mesmo sabendo que minha profissão é divulgar notícias, de forma equilibrada, muitas vezes a emoção nos trai. É por isso e, principalmente, pela pessoa tão presente que ele era na minha vida, que não consigo segurar as lágrimas, me sentir um pouco órfã nesse momento.
É assim que me sinto, tomada por uma tristeza profunda de ter que me despedir do meu amigo, Assueres Barbosa, ou simplesmente “Sussu” como eu sempre o chamava”.
- Dayse Alvarenga - Editora de O SÃO GONÇALO