SG na rota dos ‘olhos puxados’
Famílias de japoneses atingidos pela bomba de Hiroshima foram abrigadas na Ilha das Flores

Hospedaria de Imigrantes deu lugar ao Centro de Memória, criado em parceria da Uerj com a Marinha
Foto: Alex RamosPor Marcela Freitas
Esse mês o mundo relembra um dos mais devastadores ataques à humanidade ocorrido há 70 anos, quando a bomba atômica, disparada pelo exército americano, matou mais de 200 mil pessoas nas cidades de Hiroshima e Nagazaki, no Japão. A tragédia é amplamente divulgada, mas o que poucos conhecem é que oito anos depois dos ataques na 2ª Guerra Mundial, em 1953, algumas famílias japonesas imigraram para o Brasil e passaram pela Hospedaria de Imigrantes da Ilha das Flores, em Neves, São Gonçalo.
A descoberta foi possível através de um trabalho de pesquisa coordenado pelo professor de História da Faculdade da Formação de Professores (FFP-Uerj) e coordenador do Centro de Memória de Imigração, Luis Reznik.
Segundo os assistentes de pesquisas, Guilherme Cavotti e Juliana Oliveira, através de releituras em jornais da época, descobriram que a chegada dos imigrantes japoneses foi amplamente divulgada. A viagem teria sido custeada pelo governo japonês e auxiliados em sua localização na Bahia pelo Governo Federal.
Segundo levantamento, 235 imigrantes japoneses chegaram a São Gonçalo e, após passagem pela hospedagem, seguiram para Bahia, onde fixaram residência na Colonia de Una, próximo a Ilhéus, onde já se encontravam outras famílias que anteriormente residiam em colônias japonesas de São Paulo.
“Parcela dos “hibakusha, que significa sobrevivente da bomba, passaram pela Ilha das Flores. Esse seria mais um dos elementos que compõe esse espaço que recebeu muitos refugiados da Segunda Guerra”, disse Guilherme.
Ainda segundo Guilherme, o intuito agora é estreitar os laços com a associação de hibakusha, presente em Jabaquara, São Paulo.
“O nosso intuito é estreitar os laços. A comunidade maciça está em São Paulo e outra parte na Bahia.”, contou.
O Centro de Memória da Imigração ocupa o lugar onde foi fundada, em 1879, a primeira hospedaria de imigrantes do Brasil. Esta instituição funcionou até 1966, recebendo imigrantes de vários continentes e que desembarcavam no Porto do Rio.
Parceria entre a Uerj e a Marinha

O Centro de Memória da Imigração da Ilha das Flores foi criado para disponibilizar materiais de memória e um conjunto de reflexões sobre a história da imigração no Brasil. Documentos, fotografias, documentários, mapas e depoimentos, organizados em exposições, estão disponibilizados para o público leigo, acadêmico e escolar.
O centro museu da imigração começou a ser estudado em 2010 com uma parceria entre a Uerj e a Marinha. Em novembro de 2012, foi inaugurado o museu a céu aberto, no qual são realizadas visitas guiadas.
Os pesquisadores recebem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio (Faperj) e planejam que no futuro as atividades sejam ampliadas.
“Hoje não temos como fazer exposições especificas de cada nacionalidade que passou por aqui. Mas esse é um projeto futuro.”, disse Juliana.
As visitas ao local são gratuitas e devem ser agendadas em www.hospedariailhadasflores.com.br.