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Pela 1ª vez no teatro

Crianças que dão primeiros passos na música em São Gonçalo vão a show instrumental no Rio

relogio min de leitura | Redação 22 de agosto de 2015 - 19:17

As crianças e adolescentes, acompanhados por familiares, eram a pura expressão da ansiedade para assistir pela primeira vez um show de música instrumental

Foto: Filipe Aguiar

Por Dayse Alvarenga

Quinta-feira, 20 de agosto de 2015, 17h30, Praça do Pontal, São Gonçalo. Dez meninos e meninas, entre 8 a 15 anos, que estão aprendendo a tocar violino de graça no projeto social “Eu sou + 1” há quatro meses, seguem pela primeira vez para assistir a um show instrumental, no Teatro do Sesi, no centro do Rio. Uma equipe de O SÃO GONÇALO acompanhou e se emocionou nesta viagem realizada em um ônibus gentilmente cedido e dirigido pelo vereador Ricardo Pericar (Solidariedade).

À frente da “excursão”, não menos emocionado, um dos idealizadores do projeto noticiado pela primeira vez por OSG, o marinheiro Daniel Freire, de 38 anos.
“Essa quinta-feira será inesquecível para todos nós, principalmente para nossas crianças. Uma grande oportunidade para elas. Estamos muito felizes”, disse Daniel ainda no trajeto visivelmente ansioso.

A ansiedade, aliás, fazia de todos no ônibus: pais, avós, as crianças e adolescentes e a equipe de OSG. Uns preferiam ficar sozinhos, mais pensativos; os menores, mais agitados, riam, brincavam entre eles. Algumas mães até rezavam para “Deus abrir os caminhos” do mega-engarrafamento na Avenida Presidente Vargas por conta da manifestação política a favor da presidente Dilma Rousseff, na Cinelândia.

Mas a agitação e a ansiedade deram um lugar imediatamente à contemplação ao assistir ao show do trio Ricardo Herz (violino), Michi Ruzitschka (violão sete cordas) e Pedro Ito (percussão e bateria). Eram visíveis a emoção, a alegria e a admiração pelos músicos, que acabaram de chegar de uma turnê de 18 apresentações na França e começaram pelo Rio uma outra por 10 capitais brasileiras, com o patrocínio dos Correios. Os meninos e meninas fizeram questão, espontaneamente, de conversar, pedir autógrafos e fazer fotos com todos os músicos ao final do espetáculo, de cerca de uma hora e meia.

Feliz com espectadores tão especiais,o violinista Ricardo Herz e seus amigos atenderam, com todo o carinho, os futuros colegas de profissão.
“Mesmo que nem todos se tornem músicos profissionais, ele estão adquirindo muita coisa boa que a música proporciona, como a disciplina, a dedicação e a sensibilidade. Parabéns aos idealizadores da iniciativa e longa vida ao projeto ‘Eu sou + 1’”, disse Herz que, informado anteriormente por OSG de que as crianças iriam ao show, citou a presença delas nos agradecimentos ao fim do espetáculo.

Na volta a São Gonçalo, a euforia e o sorriso estampados nos rostos venciam o cansaço e davam a certeza que o empenho de todos para realizar o passeio foi recompensado. Quando indagados sobre quem não havia gostado da “excursão”, as crianças olharam incrédulas para a repórter. Expressão imediatamente desfeita ao entender a brincadeira. “Não, nada disso. Eu errei. O certo é dizer: quem gostou”?, brincou a jornalista. A resposta, óbvia, “Eu”, foi dita por todos em alto e bom som.

À frente da “excursão”, não menos emocionado, um dos idealizadores do projeto noticiado pela primeira vez por OSG, o marinheiro Daniel Freire, de 38 anos.

Todos agora têm VIOLINOS

Ricardo Herz encantou o público com sua performance peculiar de tocar
Ricardo Herz encantou o público com sua performance peculiar de tocar

Segundo Daniel Freire, menos de um mês após a publicação da reportagem de OSG, o projeto rendeu frutos, ou melhor, nove violinos doados por gente de São Gonçalo, Rio e até São Paulo, e mais crianças da comunidade do Porto Velho querem ter acesso às aulas. No início das aulas, eram oito violinos, sendo seis comprados com recursos dos próprios voluntários e doados por moradores da região e os demais cedidos pela primeira professora do projeto. Assim, com as novas doações, os 15 alunos têm cada um o seu violino, não precisando mais dividi-los em duplas.

Alunos do projeto pediram autógrafos e conversaram animadamente com Herz
Alunos do projeto pediram autógrafos e conversaram animadamente com Herz

Mais que satisfeito com tanta repercussão, um dos idealizadores da iniciativa diz que tinha certeza dos resultados positivos.“Eu sabia que íamos crescer. Não é por nenhuma pretensão mas é só porque sempre acreditei que tinha tudo para dar certo”, disse o articulado Daniel, que nasceu e morou até antes de se casar na comunidade onde é realizado o projeto.

Filho de pescador aposentado, Daniel elaborou o projeto com um amigo de infância Fábio Rodrigues, ambos também ex-pescadores, de levar mais cultura às crianças da região através da música, muitas delas também de famílias de pescadores. O “Eu sou + 1” conta com um total de cerca de 30 voluntários, cujas aulas acontecem uma vez por semana (nas manhãs de sábado) em espaço cedido pela Igreja Assembléia de Dues do Pontal.

E mesmo com apenas quatro meses de aulas, as crianças e adolescentes já se preparam para a primeira apresentação em público. A convite do São Gonçalo Shopping, no Boa Vista, eles vão se apresentar no local, no próximo sábado (29), às 16h.

Quem quiser conhecer e contribuir com o projeto, é só entrar em contato com Daniel Freire no telefone 96465-0806.

FIQUEI MAIS ANIMADO PARA TOCAR’

Os alunos do ‘Eu sou + 1’ puderam dar uma ‘palinha’ para o novo amigo
Os alunos do ‘Eu sou + 1’ puderam dar uma ‘palinha’ para o novo amigo

Os mais velhos do grupo foram além nos comentários, além do “Gostei”, “Aham”, “Legal” dos mais novinhos e dos tímidos. “Eu gostei porque parece que ele toca com a alma”, definiu Rackel Soares, de 14 anos, em relação à performance de Ricardo Herz no palco.

Os primos Caio e Daniel Scotelaro, 14 e 15, foram além. “Me deu vontade de tocar como ele (Herz). Quem sabe mais à frente, eu consigo”, sentenciou Caio.
Daniel, considerado pela coordenação do projeto um dos destaques do grupo de 15 alunos, também surpreendeu com seus comentários.

“O jeito dele (Herz) tocar é diferente. É animado, agitado, envolve a gente. O show dele me deu mais vontade ainda de tocar. Fiquei muito animado”, narrou Daniel que, surpreendentemente, desde os 12 expressou aos pais a vontade de tocar violino. “Acho o som que ele (violino) produz é muito bonito, me acalma”, completou de forma amadurecida e serena.

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