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Expectativa sobre estreia de humorístico inspirado em SG

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 05 de abril de 2015 - 22:14

Alguns personagens de ‘Chapa Quente’, com atitudes apesar de aparentemente engraçadas mas não muito honestas, poderão geral mal-estar entre gonçalenses

Foto: Luiz Nicolella

Celeiro de artistas conhecidos como Selma Reis, Altay Veloso, Rafael Zulu, Izak Dahora e tantos outros, a cidade está em plena expansão econômica para perder o estigma de cidade-dormitório. Mas todo esse esforço pode ir por água abaixo com a estreia, na próxima quinta-feira (9), da nova série humorística da TV Globo, “Chapa Quente”, que substituirá a “Grande Família”, tendo como palco de fundo a cidade de São Gonçalo.

Isto porque alguns personagens na trama podem não agradar a todos os telespectadores gonçalenses por comportamentos nem um pouco éticos, como um desempregado “profissional”, personagem de Leandro Hassun (Genésio), que vive às custas da mulher, a dona de um salão de beleza Marlene interpretada por Ingrid Guimarães, e sempre dá um “jeitinho” para arrumar uma grana, de uma forma não muita honesta.

O mesmo pode acontecer com a personagem de Renata Gaspar (Josy), uma manicure, noiva de um traficante e com relacionamento “extra” com um policial militar vivido por Lúcio Mauro Filho, que também teria atitudes nada louváveis. O único personagem, que talvez se “salva” na história seira o cabeleireiro boa praça, Fran, de Thiago Abravanel, eterno apaixonado pela ex-namorada e agora patroa na trama.

Mas além das atitudes dos personagens, pode causar polêmica também a valorização de aspectos apenas negativos de poluição visual e serviços públicos precários, como muito lixo espalhado no chão, par de tênis presos aos fios de alta tensão e cartazes de propaganda de advogados, cursos de inglês e ajuda espiritual compondo a cidade cenográfica instalada no Projac, estúdios da emissora, no Rio. Sem contar o calor excessivo, o que fará os atores gravarem sempre suando para dar veracidade ao discurso caricato.

“A gente só grava molhado de suor. É uma sensação que a gente que vem da Zona Sul do Rio não tem. O calor altera muita coisa”, contou a atriz Ingrid Guimarães acrescentando que, para ela, sua personagem não é esteriotipada.

“Estava doida para fazer uma pobre. A Marlene é uma heroína da atualidade, politicamente incorreta e feliz. Tenho certeza que na série todo mundo vai entender que é tudo uma brincadeira”, completou a atriz.

A mesma “esperança” de estar homenageando a cidade tem Leandro Hassum. Apesar de já ter sido envolvido numa polêmica depois de fazer piada sobre São Gonçalo, o ator, que já morou em Niterói, não acredita que o caso vai se repetir ou que as piadas vão ser mal interpretadas.

“Fiz uma brincadeira que foi sendo repetida e acabou mal interpretada”, garantiu o humorista.

Desconhecimento
Apesar de alguns atores terem vindo à cidade fazer pesquisas, chamados “laboratórios, para aprimorar a interpretação de seus personagens, o autor Cláudio Paiva não se mostrou muito interado com o que acontece na cidade. Durante coletiva sobre a estreia da minissérie, o autor disse que não conhecia a cidade para falar bem ou mal.
“Gostaríamos de retratar um ponto conhecido da população e que tivesse a característica que o seriado vai abordar. Procurávamos um local que tivesse grande capacidade, mas que parece ter sido esquecida pelo governo. E optamos por São Gonçalo, que, além de me trazer uma memória afetiva, já que sou de Niterói, tem nome de santo”, justificou.
Enredo da minissérie divide opiniões
Numa rápida enquete sobre o enredo da minissérie, cidadãos comuns e personalidades públicas da cidade dividem-se sobre a polêmica. Mesmo desconhecendo o conteúdo integral da atração, o presidente da Comissão de Cultura da Câmara, vereador Giovani Raios de Sol (PRP) e o comandante do 7º BPM, coronel Fernando Salema, reprovaram os tipos retratados caso eles sejam realmente apresentados quando a série entrar no ar.
“Não podemos tratar o todo de forma leviana. A cidade está progredindo, mas sabemos que ainda não é o ideal. Somos muito carentes de cultura e precisamos de investimentos nesta área”, afirmou Giovani.
“Não tenho conhecimento dessa série. Mas claro que se tiver uma abordagem pejorativa, fere a instituição (PM). No entanto não é só isso, fere também a população”, ressaltou Salema.
Moradora do Mundel, a auxiliar de serviços gerais Eloá Valentin Gomes, de 42 anos, não gostou de saber o enredo da série global. “Como todo lugar, a cidade tem seu pontos negativos e positivos. Mas temos mais coisas boas do que ruins para mostrar. Eu sou uma guerreira que luto muito e preferia ver isso na TV”, opinou Eloá.
A mesma opinião tem o funcionário público Leonardo Quintanilha, 43, que deixou a cidade vizinha Niterói para morar em São Gonçalo. “Antes de viver aqui eu tinha um pré-conceito, mas que logo foi cessado. Aqui é uma cidade de gente que gosta de trabalhar. Não tenho nada de ruim para falar”, revelou Leonardo.
O cabeleireiro Juan Viana, 28, tem opinião diferente e vê o programa como uma cópia bem-humorada dos problemas que a cidade enfrenta.
“Vejo tudo com bom humor. Acredito que a série vai mostrar a nossa realidade”, afirmou o profissional que recebeu a visita do núcleo do salão e colaborou com o “laboratório” dos atores. “Riram muito e fizeram várias perguntas sobre o dia dos salões de beleza”, contou o funcionário do Salão Augustus de Carvalho, que fica na Rua João Caetano, a popular Rua da Feira, em Alcântara.

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