Instagram Facebook Twitter Whatsapp
Dólar R$ 5,0665 | Euro R$ 5,8376
Search

Italiana procura mãe em São Gonçalo

Adotada aos 4 anos e levada para Itália, mulher quer reencontrar família do Brasil

relogio min de leitura | Redação 21 de julho de 2015 - 10:16

Paloma criou página em rede social para procurar a mãe, que era de São Gonçalo há 26 anos

Foto: Divulgação

Por Elena Wesley

Aos 4 anos de idade, Paloma Rodrigues Correa foi adotada com o irmão Diego, de 2 anos, por uma família italiana, num processo que teria durado apenas três dias. Cresceu, casou, teve filhos, mas, aos 30 anos, sente que ainda falta algo para ser uma pessoa realizada: encontrar Michele Rodrigues Correa, sua mãe biológica. Com muita determinação e uma ‘ajudinha’ da internet, há um mês, a corretora imobiliária fez desta a principal meta de vida, mesmo sem o apoio de familiares.

“Eu sempre soube que havia sido adotada, mas nem suspeitava que minha origem desconhecida se referia a outra nacionalidade”, conta Paloma. A revelação sobre as raízes brasileiras ocorreu quando tinha 11 anos, porém sem muitos detalhes. Segundo a corretora, os pais, que ainda vivem na Itália, nunca se sentiram à vontade para explicar o processo. “Eles me disseram que minha mãe estava morta e que me conheceram em um orfanato. Mas eu nunca acreditei nessa história...”, garante.

As suspeitas aumentaram à medida que Paloma estreitou o contato com uma freira, também italiana, que teria intermediado a adoção, em outubro de 1989. A partir de um número de telefone deixado pela freira antes das crianças saírem do Brasil, Paloma conseguiu iniciar as buscas.

“A freira contou que minha mãe era muito pobre e não podia sustentar nem a mim nem a meu irmão. Na época da adoção, ambas moravam em Pilares, Zona Norte do Rio de Janeiro, mas a Michele era de São Gonçalo. Sempre quis encontrá-la, mas não sabia nada sobre ela e nem como fazer isso. Assim que descobri o nome dela e o meu, criei um perfil (em rede social) com meu nome de registro e comecei as pesquisas na internet”, explica.

A corretora lamenta que não tenha colhido mais informações com a freira nas primeiras tentativas. “Ela me dizia que já não lembrava o nome da minha mãe e nem mesmo a idade dela. Uma amiga da freira, que conhecia a história, foi quem a persuadiu. Mas hoje, com 80 anos de idade, ela já não lembra de muita coisa”, desabafa.

Mas o pouco que sabe já a deixa intrigada. Segundo Paloma, a freira revelou que a adoção dos irmãos se resolveu em apenas três dias, junto ao Consulado. Mesmo após 26 anos da adoção, Paloma ainda encontra resistência para que o assunto seja abordado e, por isso, decidiu agir sozinha.

“Meus pais adotivos nunca quiseram me dizer nada, nem sequer a verdade. Eles têm todos os documentos em casa, porém bem escondidos. Em todas as vezes que mencionei minha intenção, se opuseram. Estou procurando pela minha mãe biológica sem o consentimento deles”, lembra. A família permanece na Itália, mas há um ano Paloma mora na ilha espanhola de Gran Canarie, no Oceano Atlântico. Mesmo com tantos obstáculos, Paloma se mantém confiante e esperançosa. “Quero que minha mãe venha conhecer meu marido e meus dois filhos!”, destaca.

3 (1) cópia

Matérias Relacionadas